Logo

Stallone x Schwarzenegger

06.02.2017 - 08:59:00
WhatsAppFacebookLinkedInX
 
Goiânia – Duelo de Titãs. Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger são dois cânones do cinema de ação e que povoaram e ainda povoam o imaginário de uma geração que cresceu assistindo aos seus filmes com seus personagens míticos. Como faço parte da saudosa geração dos anos 80, na minha fase pré-cinéfila, vivenciei de perto o lançamento de cada filme destes atores ao longo de, principalmente, meados da década de 80 e ao longo de toda a década seguinte, perdendo um pouco o fôlego nos anos posteriores, mas sempre deixando uma fagulha guardada em uma gaveta fechada, numa antiga cômoda de velhas magias, brilhante síntese da infância segundo o poeta Vinícius de Moraes.
 
Experenciar os filmes de Stallone e Schwarzenegger em uma fase áurea, em que não havia espaço para a tristeza, preocupações, durante a tenra idade permeada por uma magia esplendorosa envolta por peripécias e traquinagens inerentes à idade conferem uma nostalgia inquebrantável e, quem a vivenciou, jamais se olvidará. Todavia é plenamente possível que as novas gerações abracem estes dois ícones, com todas as suas particularidades, e não deixem a memória se desvanecer.
 
Infelizmente, estes atores sofreram e ainda sofrem, não somente pelo público, mas por parte da crítica, sanções e são estereotipados como atores medíocres, que não sabem atuar e que o sucesso provém não do talento, mas da imagem. Discordo veementemente, podem não estar em um degrau mais elevado, podem não estar entre os grandes, mas há espaço para seus trabalhos. Nem só de caviar vive o homem. 
 
Quanto a Stallone, é bom lembrar que, além de atuar, também dirigiu ótimos filmes, inclusive, logo em seu belo debute A Taberna de Inferno (1978), uma espécie de Rocky do submundo, dois anos após sua estupenda atuação em Rocky (1976), de John G. Avildsen, o primeiro de uma longa série, marcado por momentos de antologia em um dos grandes filmes da história do cinema, culminando em Creed (2015), último filme da épica saga dirigido por Ryan Coogler, em que Stallone atua magistralmente. É preciso bradar aos quatro cantos que, neste ínterim, Sly atuou em filmes de primeira grandeza como Rambo – Programado para Matar (1982), um dos melhores sobre um veterano de guerra; Condenação Brutal (1989), um dos meus favoritos sobre presídio, realizado pelo mestre subestimado John Flynn; o injustiçado e pouco lembrado Oscar – Minha Filha quer Casar (1991), uma brilhante comédia de John Landis em que Stallone arrasa em sua assombrosa interpretação, demonstrando versatilidade.
 
Schwarzenegger se aventurou na direção em Um Natal Diferente (1992), mas não seguiu em frente. Trabalhou com ótimos diretores como Paul Verhoeven, James Cameron, Robert Altman, John Milius, Richard Fleischer, John McTiernan, Walter Hill e o próprio Stallone, quando os dois se encontraram em Os Mercenários, ótimo filme de ação, pendendo muito mais para a direção do que para o roteiro, talvez por isso incompreendido por parte do público e da crítica. Certamente, mestres como Howard Hawks e Robert Aldrich o aprovariam como bem observou o escritor e crítico Vlademir Lazo. Ao longo de sua ótima carreira, há grandes filmes, de tirar o fôlego, daqueles que não permite um piscar de olhos, dos quais vale ressaltar: Conan, o Bárbaro (1982), a obra-prima de John Milius; os dois primeiros da trilogia Exterminador do Futuro (1984 e 1991), de James Cameron, com destaque primordial ao segundo filme da franquia; Vingador do Futuro, um dos melhores trabalhos do grande Paul Verhoeven.
 
Colocando na balança, as filmografias de ambos são bem irregulares, alternando grandes filmes com outros anódinos, o que talvez justifique a crítica negativa. Não obstante, tendo a desviar o olhar e concentrá-lo em momentos inesquecíveis, ou como cantou a trupe do Monty Python em A Vida de Brian (1979) – "always look on the bright side of life" -, ou seja, sempre olhe para o lado positivo da vida. É inegável que realizaram grandes filmes e que deixaram marcas indeléveis na história do cinema, afirmar o contrário é recalque ou pré-conceito. Escolher entre um ou outro é uma tarefa árdua e ingrata, pois ambos são dignos de méritos e precisam ter suas filmografias difundidas e revisitadas. Não gosto de ficar em cima do muro, e com um aperto no coração escolho Stallone, sobretudo, por ser o personagem principal em Rocky – especialmente o primeiro -, um dos filmes da minha vida.
 
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Declieux Crispim

*Declieux Crispim é jornalista, cinéfilo inveterado, apreciador de música de qualidade e tudo o que se relaciona à arte.

Postagens Relacionadas
Projetor
24.02.2026
Talvez

Já falei em outros artigos sobre a dificuldade de opinar toda semana. Há motivos pessoais e questões culturais envolvidas nisso. Em termos pessoais, tenho opiniões duras a depender do assunto. De forma geral, entretanto, é a dúvida que me guia. São características enraizadas em toda uma história de vida das quais não se pode escapar. […]

Noite e Dia
23.02.2026
Posse solene de desembargadora do TJGO reúne autoridades em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A solenidade de posse da desembargadora Laura Maria Ferreira Bueno foi realizada na última sexta-feira (20), no Plenário Desembargador Homero Sabino de Freitas, na sede do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), em Goiânia. Sob a condução do chefe do Poder Judiciário estadual, desembargador Leandro Crispim, a cerimônia cotou […]

Curadoria Afetiva
22.02.2026
Cerradim e um Jardim

A ideia de formatar o evento “Cerradim” partiu do desdobramento do “Projeto Goianins”, realizado ano passado, com oficinas criativas para crianças típicas e atípicas, cujo resultado dos trabalhos artísticos foram projetados nas paredes dos muros dos moradores da rua do entorno do Jardim Potrich. A idealização desse espaço multicultural sempre esteve vinculada a duas principais […]

Joias do Centro
20.02.2026
Feira Dom Bosco: raízes, tradição e trabalho na região central de Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Antes mesmo de o sol firmar presença no céu de Goiânia, as ruas do Setor Oeste já começam a ganhar outro ritmo. O cheiro de fruta cortada, o peso das caixas descarregadas ainda na madrugada e as primeiras conversas entre fregueses antigos anunciam que é dia de feira. Às terças e […]

Noite e Dia
20.02.2026
Exposição de Maria Clara Curti abre temporada 2026 da Vila Cultural Cora Coralina; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia, abriu o calendário de exposições 2026 nesta quinta-feira (19/2), com a exposição “Aquilo que fica e outros fantasmas”, primeira individual de Maria Clara Curti. A produção multifacetada desdobra temas como o luto e a simbolização da perda, as impressões da memória no corpo, tensões intersubjetivas […]

Noite e Dia
18.02.2026
Goiânia recebe 42ª edição do Congresso Espírita de Goiás; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – Nem só de folia foi feito o Carnaval deste ano. A Federação Espírita do Estado de Goiás (Feego) realizou entre sábado (14) e segunda-feira (16), o 42º Congresso Espírita de Goiás. O evento foi realizado no Teatro Rio Vermelho (Centro de Convenções) e com o tema “Jesus e Kardec para os […]

Projetor
17.02.2026
Uma Cartografia de Influências

Os livros e os filmes nos moldam. Se eu tivesse que desenhar um mapa daquilo que me move, talvez bastasse alinhar em sequência as obras que mais me marcaram: elas formam uma espécie de autobiografia indireta, feita menos de fatos e mais de obsessões. Com Sherlock Holmes, aprendi que o mistério não é sinônimo de […]

Noite e Dia
16.02.2026
Goianienses aproveitam sábado de carnaval com muito samba; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – Os goianienses aproveitaram o sábado de carnaval (14/2) no Centro da cidade. Com programação especial, o Quintal do Jajá recebeu os foliões com apresentação do DJ Ferrá, Ricardo Coutinho e Gabriela Assunção. A festa continua nesta segunda-feira (16), com show de Grace Venturini e Banda, às 18h. Na terça-feira (17), com […]