A Redação
Goiânia –
Mesmo diante de protestos de estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG) e de organizações sociais, a proposta de alteração do Plano Diretor da capital foi aprovada na manhã desta quinta-feira (25/4). Foram 24 votos a favor e sete contra. Estudantes e moradores da região mais afetada pelas mudanças fizeram muito barulho nos corredores da Câmara e a polícia foi chamada para evitar a invasão do Plenário.O principal opositor do projeto, com duras críticas ao correligionário Paulo Garcia, prefeito de Goiânia, é o vereador Djalma Araújo (PT). Ele representa a Região Norte e está revoltado com as alterações no Plano Diretor. “A Hypermarcas doou R$ 1 milhão para a campanha de Iris Rezende em 2010. É muita coincidência este projeto ser aprovado para essa empresa. Não existe coincidência na política”, desabafou Djalma no plenário da Câmara.
Pelo twitter, as críticas continuaram durante a tarde. “Quanto mais a população pede para ser ouvida mais é ignorada pelos vereadores. A Câmara de Goiânia acaba de dar um cheque em branco para o poder econômico.Do jeito que diabo gosta”, escreveu o vereador no microblog.
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Presidente da Câmara, Clécio Alves (PMDB) teria sido um dos principais defensores da obra da Hypermarcas. Clécio e Djalma travaram duelos pesados no plenário por conta do projeto que beneficia o setor imobiliário. A base aliada do prefeito Paulo Garcia ainda é acusada de atropelar audiências públicas e recomendações do Ministério Público, do Crea, da OAB-GO, da UFG e ONGs por mais discussão e pela rejeição do projeto.
O principal motivo das queixas das entidades é que a prefeitura sequer apresentou os estudos técnicos e de impacto ambiental que embasassem o projeto de revisão do Plano Diretor, que e a lei máxima que regula o ordenamento urbano de Goiânia.
Protestos
A vereadora Dra. Cristina (PSDB) perdeu a paciência com as ações do Paço. “É um momento vergonhoso para Goiânia”, disse. “Onde estão os estudos técnicos que subsidiam as mudanças? Onde está o slogan da sustentabilidade? Foi só para campanha. O slogan agora é ‘eu quero e façam”, disse a vereadora tucana.
“O que está acontecendo nessa Casa é um crime contra o cidadão, um crime contra a população. Mostrem a competência técnica desse Plano Diretor!”, bradou Cristina.

A pressa da prefeitura em aprovar a revisão do Plano Diretor foi tão grande que a matéria iria ser votada sem audiências públicas. Elas só aconteceram por pressão de moradores da Região Norte e do vereador Djalma. Assim mesmo foram apenas três debates onde foram apontadas diversas irregularidades na matéria do Paço.
Djalma Araújo afirmou que não vai “parar de lutar” e que vai à Justiça tentar derrubar o projeto. O vereador Elias Vaz (PSol) também foi duro nas críticas: “O poder econômico de sobrepôs ao interesse da sociedade”. (Com informações do Goiás 247)