Ludymila Siqueira
Goiânia – O ponteiro do relógio marca 9h da manhã em um domingo ensolarado. O café já está na mesa e a família está reunida. Entre os presentes, Eduarda Vieira, de 16 anos, e o pai dela, Flávio Vieira, de 37. Ele, pai solo, é quem leva a adolescente para a escola todos os dias, a aconselha sobre a vida e a incentiva a ir em busca dos sonhos existentes no coração da garota. Nem sempre foi assim. Flávio passou anos sem ter contato com a menina, que só passou a contar com o sobrenome do pai na certidão de nascimento há 7 anos, quando ela tinha 9 anos de idade. Eduarda vivia em outro Estado com a mãe, que havia registrado a filha somente com o nome dela. Por decisão da Justiça, Flávio, que é técnico em máquinas elétricas, ganhou a guarda da filha, que escolheu morar com o pai.
O caso de Eduarda é semelhante a centenas de outros casos de crianças e adolescentes no País que, atualmente, vivem sem o sobrenome do pai na certidão de nascimento. É o que aponta o Portal da Transparência, que integra a plataforma nacional administrada pela Associação dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil). Segundo os dados, entre janeiro e julho deste ano, mais de 194 mil crianças não receberam o reconhecimento de paternidade, sendo a região Sudeste do País a que reúne maior número de casos.

(Foto: Reprodução/Arpen-Brasil)
No território goiano, a Defensoria Pública de Goiás (DPE-GO), por meio do programa Meu Pai Tem Nome, realizou mais de 400 pedidos de reconhecimento de paternidade entre 2019 e 2023. Subdefensor público-geral para Assuntos Institucionais da DPE-GO, Allan Montoni explica que, ao se tratar de núcleos familiares, o número pode ser ainda maior. O reconhecimento de paternidade pode ser feito gratuitamente por meio do órgão, onde, na maioria dos casos, não é preciso entrar com ação na Justiça.
"Estes pedidos de reconhecimento de paternidade, muitas vezes,
são iniciativas dos filhos que desejam ter o nome do pai no registro.
Também é comum que a solicitação ocorra por parte do próprio pai.
O programa é uma forma de incentivar e efetivar, na prática,
este reconhecimento para crianças e adolescentes, até mesmo adultos"
(Allan Montoni, subdefensor da DPE-GO)

Em entrevista ao jornal A Redação, o subdefensor, que também é coordenador do Projeto Meu Pai Tem Nome, destaca que a expectativa é alcançar um número recorde de atendimentos. Somente em Goiânia e Aparecida, conforme previsto, cerca de 200 pais e filhos serão atendidos durante um mutirão. Os serviços em Anápolis, Inhumas e Trindade devem somar 100 registros de paternidade.
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