A cena alternativa de Goiânia sempre esteve em ebulição. Muita coisa nova, interessante e fora do eixo surge por aqui e circula para outros Estados e até para o mundo. O problema é que muito disso acaba invisibilizado, sob o peculiar verniz de que “em Goiânia só tem sertanejo”. Tentando contornar nisso e sair na frente, A Tropa de Goiânia, documentário de Iuri Mariano e João Lucas Ribeiro, mostram a potência da cena do eletrofunk da capital, ritmo local que tem crescido e dominado o mundo.
Ver esse post no Instagram
O filme traz alguns dos principais artistas da cena, como Wam Baster, DJ Low, MC Jacaré e Jiraya Uai, e conta como a cena se constituiu a partir das festas de som automotivo e principalmente do sistema local de aparelhagem: o trio goiano.

O resultado é uma amostragem envolvente sobre essa cena que, embora pulsante, ainda é pouco conhecida pela grande audiência, mesmo com seus artistas já fazendo turnês movimentadas pela Europa. Demonstra, também, como a a arte e principalmente a música encontra o seu caminho nas periferias e na cultura popular, muitas vezes longe de olhos pedantes e estetas.
Com 77 minutos de duração, o documentário também não exagera no tempo e capricha na trilha sonora, permitindo que os não familiarizados com o eletrofunk saiam da sessão sabendo o mínimo para conhecer esse som. Como crítica, apontaria apenas a baixa participação feminina no filme, restrita à brevíssimas participações da DJ Índia e de Maaju. Da mesma forma, apesar do fôlego que os entreatos musicais trazem, o filme também é muito dependente do formato talking heads, o que é um tanto cansativo do ponto de vista narrativo.

Mas isso são detalhes: recomendo fortemente que o filme seja conferido no cinema para poder aproveitar o sistema de som e a tela grande. A Tropa de Goiânia estreia no dia 12 de novembro.
*o colunista assistiu ao filme em cabine de imprensa oferecida pela produtora Caolha Filmes, em Goiânia.
