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‘Pronto para liderar esse projeto’, diz Moro sobre candidatura à Presidência

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17.11.2021 - 09:34:09

Brasília – Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro disse estar preparado para à Presidência da República em 2022. Recém-filiado ao Podemos, o ex-juiz foi o convidado do programa Conversa com Bial, da TV Globo, na madrugada desta quarta-feira (17/11). "Estou pronto para liderar esse projeto consistente com o povo brasileiro. Se o povo brasileiro tiver essa confiança, o projeto segue adiante", declarou.

Perguntado sobre como tem discutido projetos no bastidor político, Moro afirmou que as conversas estão voltadas principalmente para a Economia e anunciou Affonso Celso Pastore como seu conselheiro. "É um dos melhores nomes do País", disse. "O problema é que esse projeto ainda está sendo construído e a partir do momento em que se revelam nomes, as pessoas ficam sob uma pressão terrível. Eu vou revelar um, e vou pedir escusas para não revelar outros: no nível macroeconômico, quem tem me ajudado é um economista de renome, um dos melhores nomes do país, alguém que eu conheço há muito tempo, que é o Affonso Celso Pastore."

Pastore é doutor em economia, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e foi presidente do Banco Central de 1983 até 1985, fim período da Ditadura Militar. Recentemente, lançou o livro "Erros do passado, soluções para o futuro: A herança das políticas econômicas brasileiras do século XX". O ex-juiz informou que também aceitaria renunciar ser "cabeça de chapa". "Nunca tive a ambição de cargo político. Existem outros nomes que têm se habilitado para fugir dos extremos. Então, se tiverem outras lideranças, não tem nenhum problema de conversarmos. Temos que ter o desprendimento necessário para nos unirmos em algum momento", apontou.

Ao ser questionado pelo apresentador Pedro Bial se isso seria o anúncio da candidatura, enfatizou: "Essa jornada começa agora com a filiação. Estamos abertos para colocar o Brasil nos trilhos. Vai muito além do combate à corrupção. Precisamos nos tornar o país do futuro finalmente. Estou sim preparado."

Logo na abertura da conversa, o jornalista transportou Moro de "herói nacional" para "vilão ao se tornar avalista moral do presidente Jair Bolsonaro". "Gostei da introdução, todo mundo gosta de um bom filme. Não sei se concordo com a característica de vilão", ponderou. Ao ser indagado se o problema seria apontar o vilão ou procurar os heróis, respondeu: "Precisamos de bons líderes, mas que construam instituições que incentivem a construção de grandes líderes."

Bial então citou uma entrevista dada ao jornal O Estado de S. Paulo em 2016, em que ele respondeu que "jamais seria candidato". Na época, Moro afirmou ser "um homem da Justiça". "Naquele momento, o que vimos foi um Brasil vencendo a corrupção. Estávamos virando o jogo. Estava focado no meu trabalho e acreditava que o jogo iria virar", defendeu-se. "No entanto, em 2018, tive a oportunidade de virar ministro da Justiça e encarava como missão por um propósito maior. Porém, quando o governo boicotou o projeto de combate à corrupção, passou a adotar um comportamento de, ao invés de coibir, interferir, saí do governo. Estamos perdendo o que construímos a duras penas na Operação Lava Jato", reforçou.

Moro argumentou que foi convidado pelo Podemos para liderar um projeto de País e recuperar o que chama de "sonhos perdidos". "Não faltei com a verdade naquele momento, mas o contexto mudou completamente." Para ele, a decisão pela filiação surgiu após uma palestra nos EUA em que ouviu de um participante que "abandonou o Brasil". "Foi um tiro no meu coração. Estava cogitando há muito tempo."

Indagado novamente se será candidato, declarou: "O que eu disse no meu discurso é que não me omitirei. Estou preparado para assumir a liderança desse projeto. Sinto-me habilitado a construir esse projeto", insistiu. A entrada no partido ocorreu no último dia 10 de novembro. Na cerimônia, o ex-ministro da Justiça prometeu ainda criar uma nova força-tarefa para o combate à pobreza, defendeu a liberdade de imprensa e reforçou a necessidade de reformas – especialmente a tributária – e a privatização de estatais ineficientes.

Afastado do debate nacional desde que deixou Ministério da Justiça do governo Jair Bolsonaro em abril de 2020 quando foi atuar em uma empresa de consultoria nos Estados Unidos, o ex-juiz tenta agora conseguir apoio nas bases "lavajatistas", incluindo grupos que lideraram as manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), como o Vem Pra Rua e o Movimento Brasil Livre (MBL).

Interferência em 2018
Na conversa, Moro voltou a negar interferência no processo eleitoral de 2018 e reafirmou que aceitou o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro acreditando "ser a chance de ajudar o povo brasileiro". Pontuou ainda não ter uma "questão pessoal" com o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

"Fiz meu papel de juiz e apliquei a lei." Quanto à anulação das condenações criminais de Lula na Operação Lava Jato pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em março deste ano, ele considerou que a mudança de jurisprudência do STF "infelizmente enfraqueceu o combate à corrupção". "Mas não muda o mérito. O que existe, muitas vezes, é um apego ao formalismo, que faz com que criminosos sejam soltos. Não acredito em processos alternativos. A verdade é uma só: 'Mensalão' e 'Petrolão'", comentou, referindo-se a casos de corrupção de governos petisas. "'E agora 'Rachadinha'", acrescentou Moro, já se referindo ao período atual do cenário político brasileiro, citando o nome popular para o desvio de salários de assessores parlamentares a políticos.

Em um "bate-bola", falou que para controlar o aumento do preço dos combustíveis é preciso a institucionalização de políticas certas. "A responsabilidade está muito clara que é do governo". E em relação às terras indígenas, Moro reforçou ser necessário garantir a autonomia destes para que decidam seus próprios destinos. "Não devem ser encarados como dependentes do Estado. Precisam de amparo e proteção, mas com soluções específicas para cada situação. As terras indígenas pertencem aos indígenas", finalizou. A entrevista fez parte da série que a atração global está promovendo com personagens importantes para o pleito do ano que vem. Já passaram pelo programa personalidades como Fernando Haddad e Ciro Gomes. (Agência Estado)

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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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