A Redação
Goiânia – “Eu cresci sem saber do meu pai. Todo mundo perguntava quem era meu pai e porque eu não tinha o nome dele no documento”, relembra Jacqueline Ferreira da Silva Vieira, que foi criada somente pela mãe. “Eu tentava justificar uma coisa que, ali por dentro, estava doendo”.
Depois de mais de três décadas, ela descobriu quem era seu pai e, por meio da Defensoria Pública do Estado de Goiás, obteve o reconhecimento de seu genitor em sua Certidão de Nascimento. Somente neste ano, dos 33.741 bebês nascidos em Goiás, 2.075 foram registrados sem o nome do pai. O projeto Meu Pai Tem Nome, promovido pela DPE-GO, tenta mudar essa realidade.
Para Jacqueline, a mãe tinha dito que outra pessoa era seu pai, que não quis assumir a paternidade. Só aos 38 anos, quando seu filho teve um grave problema de saúde, sua mãe resolveu contar quem era seu verdadeiro pai. Edvaldo Vieira nem imaginava da existência de Jacqueline, pois a mãe nunca lhe falou nada. “Num primeiro momento foi uma surpresa, porque eu jamais esperava”, explicou. “Ela chegou no meu escritório, começou a sondar e me perguntou se tinha a possibilidade de eu ser o pai dela”.
“Eu perguntei qual era a data de seu nascimento e tentei fazer as contas, mas não batia. Então eu disse que achava improvável e eu mesmo propus, naquele momento, fazer o exame de DNA, pra não ficar dúvida nenhuma”, narrou Edvaldo.
Quando o exame ficou pronto, Edvaldo levou o resultado para Jacqueline e disse: “não sei se o resultado que está aqui é o que você quer saber, mas está dizendo que sou seu pai”. “Aí ela me perguntou: posso te chamar de pai? E eu respondi: porque não?”
Desde então, Jacqueline e Edvaldo se falam praticamente todos os dias e se encontram com frequência. Edvaldo contou que a primeira coisa que fez, quando soube do resultado, foi contar para toda a família sobre sua filha. Apesar de um pouco de resistência de seus outros filhos, ela foi muito bem acolhida. O relacionamento já dura seis anos.
“Eu falei que não ia forçar nada. Dar tempo ao tempo”, explicou Edvaldo. “Quando passou uns três meses, minha filha falou que queria conhecê-la. De lá pra cá elas são grandes amigas. E meus filhos também, mesmo que no começo foi aquela situação de não querer aceitar, hoje é muito tranquilo.”
Meu Pai Tem Nome
No dia 12 de março, Jacqueline e Edvaldo compareceram ao “Dia D” do projeto Meu Pai Tem Nome, na Unidade Aparecida de Goiânia da Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO), momento em que ela realizou o sonho de ter o nome do pai em seu documento.
Neste ano, o projeto foi realizado nas Defensorias Públicas de todo o Brasil, em 135 municípios, em ação coordenada pelo Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege), para promover gratuitamente o reconhecimento de filiação.
“Mudou tudo”, comemorou Jacqueline. “Hoje eu tenho meu pai. Eu falo: eu tenho pai. Então muda tudo, até para meus filhos também, que tem o avô. Mudou totalmente”.