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O Estrangeiro

09.04.2018 - 09:25:00
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Goiânia – Há uma cena tocante em O Estrangeiro (2017), dirigido por Martin Campbell, quando o personagem Quan, interpretado por um Jackie Chan inspirado, entra no quarto de sua filha morta num trágico evento ocasionado por um ataque terrorista. Seu olhar acompanha os detalhes de seus objetos pessoais como retratos e ursos de pelúcia. Não há como ficar indiferente diante de uma barbaridade pela qual sua filha foi vitimada ainda muito jovem. Quan é dono de um restaurante em Londres, naturalizado britânico, e que, a partir do referido evento, não vislumbra qualquer outra atitude a não ser a vingança.
 
Este tema é recorrente no cinema e poderia ser apenas mais do mesmo, mas, nas mãos de um bom diretor, é possível ir além e entregar uma película rica em camadas, com um forte subtexto político que alicerça a costura da narrativa por um alto teor dramático e com cenas de ação eletrizantes. Quan consulta a polícia para ter notícias e buscar nomes de quem provocou o atentado que culminou com a morte prematura de sua filha, mas o descaso impera. Opta por pedir auxílio a Hennessy (Pierce Brosnan), ex-membro do IRA e chefe da investigação. O tratamento que recebe é equivalente ao da polícia. Quan passa a investigar o caso por conta própria.
 
O ímpeto por descobrir os nomes dos responsáveis pela morte de sua filha é fator preponderante e o único resquício de vida do protagonista. Quan nada tem a perder. Há um traço louvável na direção em que há espaço para o trabalho dos atores e aqui Jackie Chan e Pierce Brosnan brilham, a despeito de uma enxurrada de filmes de ação que promovem cortes bruscos e que mascaram a encenação, linguagem universal do cinema, e que muitas vezes é relegada em prol de tiros e explosões. 
 
As cenas de ação são inseridas com esmero e são o somatório para que o saldo final da película seja positivo. Há conflitos pessoais e políticos muito bem delineados pelo competente roteiro de David Marconi. O Estrangeiro é uma grata surpresa e um ótimo passa tempo que não subestima a inteligência do expectador, muito menos eclipsa fundamentos básicos do cinema como ocorre com tanta frequência no cinema comercial americano. A redenção de Quan se dá pela vingança ou pela justiça dependendo do ponto de vista. 
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por Declieux Crispim

*Declieux Crispim é jornalista, cinéfilo inveterado, apreciador de música de qualidade e tudo o que se relaciona à arte.

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