Augusto Diniz
Goiânia – A pandemia agravou problemas que, durante muito tempo, ficaram "escondidas" em cantos de Goiânia. Em novembro de 2021, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (SDHS) apontou que houve aumento de quase 50% no total de moradores em situação de rua na capital goiana. As pessoas que trabalham ou dormem nas ruas e avenidas da cidade chegaram a 1,8 mil naquele mês.
Como muitas dessas pessoas buscam abrigo em estruturas abandonadas, como prédios antigos, e instalações públicas, o Setor Central é onde a condição inadequada de moradia se desnuda ainda mais. É o que tem ocorrido com uma das construções tombadas como patrimônio cultural de Goiânia, o Coreto da Praça Cívica. A edificação em estilo art déco, da década de 1940, passou por processo de restauração e revitalização há menos de dois anos.
No dia 16 de junho de 2020, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) inaugurou a revitalização do Coreto da Praça Cívica, espaço tombado pelos governos federal, estadual e pela Prefeitura de Goiânia. 20 meses depois, o local passou a servir de dormitório improvisado e abrigo para moradores em situação de rua no Centro da capital.

20 meses depois da inauguração da revitalização do Coreto, o local passou a servir de
dormitório improvisado e abrigo para moradores em situação de rua
no Centro da capital (Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)
O trabalho de recolhimento e convencimento a sair da rua e se destinar a um abrigo é da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (SDHS), antiga Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas).
Em conversa com servidores e ex-funcionários da SDHS, o jornal A Redação recebeu como resposta não oficial a explicação de como é feito o trabalho da pasta junto aos moradores em situação de rua. Das 1,8 mil pessoas nessa condição, cerca de 40% moram, de fato, na rua. Aproximadamente 60% usam as vias da capital como local de trabalho, principalmente na tentativa de vender produtos aos motoristas que param nos semáforos.

Das 1,8 mil pessoas em situação de rua em Goiânia, cerca de 40% moram, de fato,
nas vias ou estruturas públicas da capital (Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)
Serviço de abordagem
A estrutura da SDHS conta com uma equipe do serviço de abordagem, que tenta convencer a pessoa a ir para um abrigo público. Se for homem, e quiser sair da rua, ele vai para a Casa de Acolhida I. No caso da mulher com criança, o destino é a Casa de Acolhida II. E, durante o dia, a Prefeitura de Goiânia conta com a estrutura do Centro POP para atender as necessidades dessa população.
O jornal A Redação entrou em contato com o secretário Zé Antônio, titular da SDHS, e aguarda retorno. O espaço está aberto para a manifestação da pasta.

A estrutura da SDHS conta com uma equipe do serviço de abordagem, que tenta convencer
a pessoa a ir para um abrigo público (Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)