Augusto Diniz
Goiânia – "Aqui o clima ainda é de muita tranquilidade. Tanto que se não fosse pela imprensa, eu não teria notado uma mudança de humor, nem no hotel ou nos restaurantes. Exceto pelo pronunciamento do presidente ontem (28/11) à noite." O jornalista João Camargo Neto, de 37 anos, está em Cape Town, na África do Sul, desde o final de outubro. O goiano foi ao país africano fazer um intercâmbio de inglês.
Na bagagem, ele não colocou passagem de volta. "Eu cheguei dia 30 de outubro e não tinha data para voltar. O meu curso termina na próxima sexta (3/12), mas eu não tinha voo ainda porque tinha pensado em voltar ao Brasil só quando tivesse agenda presencial, já que estou nômade digital há um tempo", descreve a viagem João Camargo.
Com 24% da população da África do Sul vacinada com duas doses da vacina contra a covid-19, o país foi o primeiro a identificar a nova variante do coronavírus batizada de Ômicron. Tratada até aqui pelos pesquisadores da doença como mais transmissiva, ainda não se sabe a gravidade da cepa nem se ela seria capaz de driblar a proteção vacinal.
"O que mudou é que antes eu decidiria quando eu iria embora. E eu iria quando tivesse agenda no Brasil. Agora se eu tiver agenda no Brasil de imediato, eu não posso mais ir. Mesmo que eu resolva ir embora no sábado (4/11), vou ter de ficar 14 dias quarentenado em casa."
De acordo com o jornalista goiano em Cape Town (Cidade do Cabo), capital legislativa da África do Sul, há uma discussão entres os políticos do país se, de fato, as nações africanas não teriam dinheiro para comprar vacina. Segundo autoridades de países da África, os vendedores de vacinas atrasaram as doses adquiridas pelos africanos e teriam priorizado a entrega a países da Europa.
Rastreamento de casos
João Camargo conta que todo estabelecimento exige uso de máscara para entrar e mede a temperatura. Além disso, a pessoa precisa deixar o número de telefone. "Imagino que se houver uma pessoa infectada, essas outras pessoas seriam informadas e colocadas em quarentena, o que me deixa mais tranquilo." Segundo o jornalista, ele diz que se sente mais seguro na pandemia na África do Sul do que se estivesse "sob a jurisdição do governo Bolsonaro".
O goiano diz que já tomou uma dose da vacina Janssen e foi orientado pela infectologista a tomar outra aplicação da mesma marcou ou combinar com uma dose da Pfizer.
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