José Cácio Júnior
O governador Marconi Perillo (PSDB) processa na Justiça o ex-governador Alcides Rodrigues (PP) por danos morais e pede na ação o valor mínimo de R$ 100 mil. Perillo apresentou também queixa-crime pelas declarações do pepista contra seu governo no começo da semana. As ações, divulgadas pela assessoria do governador, foram protolocadas nesta quarta-feira (28/12).
Em entrevista ao jornal O Popular no sábado (24/12), Alcides disse que Marconi "jogou fora o maior patrimônio dos goianos (Celg) por vaidade", acusou o tucano de ter usado o cargo para "vinditas pessoais" e perseguido pessoas como se estivesse nos tempos dos "coronéis". Ele também se referiu ao ex-aliado como "pavão".
Já em entrevista à Rádio 730, veiculada na segunda-feira (26/12), Alcides chamou o governador de "mentiroso", "megalomaníaco", "arrogante" e "prepotente". O pepista também acusou Marconi de cometer fraude fiscal ao apresentar balanço da Celg no final deste ano. O pedido de liminar de Marconi para que a 730 retire do site da rádio trechos da entrevista foi acatado pelo juiz plantonista Levine Raja Gabaglia.
As declarações de Alcides ao Popular são respostas ao balanço apresentado por Marconi em relação ao primeiro ano de sua gestão, na última quinta-feira (22/12). Em diversas entrevistas que concedeu no final do ano, prestando contas das ações em 2011, o tucano não cita nome de Alcides e seus auxiliares.
No entanto, ao conceder entrevista a cadeias de rádios no dia 22 de dezembro, Marconi disse que Goiás era comandado por uma "quadrilha" na gestão anterior. Durante as entrevistas o governador ressaltou as dificuldades no seu primero ano de gestão por conta do déficit financeiro que alega ter recebido de Alcides.
Na ação, a advogada de Marconi, Suele Menezes Apolinário, diz que Alcides não apresenta provas das acusações e afirma que o ex-governador "se tornou inimigo político [de Marconi] depois de assumir o governo do Estado em 2006."
No processo, a advogada do governador afirma que todo gestor público está sujeito a críticas, mas não podem "deslizar para o achaque". Suele alega que o pedido de indenização é "antídoto de longo prazo" pelas ofensas e diz que Alcides "não pode esquivar-se da responsabilidade reparatória imposta pela sociedade e pela lei."
Briga
A ação judicial é mais um capítulo na briga política dos ex-aliados que se tornaram inimigos políticos. Vice de Marconi por dois mandatos (1999 a 2006), Alcides assumiu o governo depois que o tucano se descompatibilizou do cargo para disputar a eleição de senador em 2006.
Depois de ter sido reeleito no final de 2006, com o auxílio de Marconi, Alcides começou a dar sinais de que a relação entre os dois não era a mesma no início do segundo mandato do pepista. Secretário da Fazenda de Alcides, Jorcelino Braga sempre estava envolvido em todas as polêmicas.
A primeira delas aconteceu em 2007. Alegando dificuldades financeiras herdadas de Marconi, Alcides anunciou que o governo passava por um deficit de R$ 100 milhões por mês. Para sanar o problema, o pepista definiu uma reforma administrativa no dia 6 de novembro de 2007.
Um ano depois, no dia 8 de novembro de 2008, Braga anunicou à imprensa o final do déficit de R$ 100 milhões. A administração anterior também dizia que os investimentos aumentariam com a regularização das contas.
O rompimento aconteceu de fato nas discussões para a eleição de 2010. Integrantes do PP e PR, principais partidos que sustentavam o governo Alcides, fora o PSDB, discutiam se apoiavam Marconi ou lançavam candidato único. Alcides, Braga, o então secretário de Segurança Pública Ernesto Roller (PP), o então presidente regional do PP, Sérgio Caiado e o deputado federal Sandro Mabel, então presidente estadual do PR, iam contra a disposição da base de apoiar a candidatura de Marconi. Ao final, a cúpula dos partidos venceu a briga interna e lançou a candidatura do ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso (na época no PR) ao governo do Estado.
As acusações continuaram em 2011. Depois de assumir seu terceiro mandato, Marconi divulgou déficit de R$ 1 bilhão. A artilharia usada foram o atraso de R$ 339 milhões na folha de pagamento de dezembro deixada por Alcides e gastos realizados sem ter dinheiro em caixa. O ex-governador passou os últimos meses do seu mandato dizendo que entregaria o Estado com boa saúde financeira, ao contrário do que alegava ter recebido.