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Era uma vez

16.10.2012 - 12:35:23
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Goiânia – Havia um tempo, não muito distante, em que a vida era simples.  Tempo em que as crianças se vestiam como crianças, as mulheres não competiam para saber quem tinha mais roupa de grife, os homens bebiam cerveja com no máximo quatro opções de marca e ninguém sabia o que era taninos, merlot ou cabernet. Erámos felizes e sabíamos. 
 
Havia um tempo que a gente pediu um café e o garçom não te perguntava: “tem preferência pelo blend? Café era simplesmente café. A maior concessão era o bom e velho pingado, com leite. Agora existe um milhão de opções, a gente até se perde na hora de escolher.  É aroma disso, sabor de chocolate, morango, trufa, grão colhido não sei aonde. Café de bule virou artigo raro. Dá até saudade daquele cheirinho de café sendo coado.
 
E o vinho? Esse nem se fala. De repente toda a humanidade virou expert. É um tal de sacudir a taça, cheirar o aroma, degustar os taninos.  O enochato virou figurinha fácil nas mesas dos restaurantes, nas degustações e até na casa dos amigos destilando seu conhecimento e arrogância. Só ele não percebe o quanto o seu papo dá sono. O enochato é o famoso espanta rodinha.
 
Eu me lembro que na minha adolescência o cúmulo da riqueza era beber um vinho branco e doce alemão, o Liebfraumilch. Não havia festa de 15 anos, casamento e bodas de ouro que a essa bebida finíssima não fosse servida.  A ressaca era mais feia que bater em mãe.
 
Ou ir na Adega tomar vinho. Vinho é modo de dizer. Tomar uma bebida doce e enjoativa. Quem tem mais de 35 anos, certamente se lembra bem da Adega. Era programa para ir de casal, em começo de namoro. De matar as amigas solteiras de inveja. Coisa fina.
 
Tudo isso ficou no passado.
 
Assim como as férias na praia, em que a família alugava uma casa ou apartamento e ia com os filhos, os amigos dos filhos e, às vezes, até mesmo outra família para dividir o espaço e as despesas. Nada de resort, brinquedoteca e monitores. Era simplesmente praia, baldinho, picolé, um bando de criança e muita bagunça. E os pais bebendo cerveja, dando bronca e sendo felizes. Mais divertido, impossível.

Hoje a gente pode até estar mais chique, mas também está bem mais chato.
 
 
 
 

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por Bia Tahan

*Jornalista

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