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Havia mais ou menos oito ou nove delas ali-na-rua. Oito ou nove centenas. Sim, centenas. Como iam chegando aos bocados, “Decerto desde a Praça Cívica, em prolificação evidente”, era no mínimo de se cogitar: não tardava, em breve seriam mesmo milhares. — Gilberto, ô, Gilberto! — José Mendonça, irmão do poeta, era quem alvoroçava […]
Os dias chegam cedo na capital goiana. Da sala onde aguardamos o poeta, a janela de vista ampla para o céu oferece imaginações sobre o sol entrando nas casas, nos afazeres das pessoas, borbulhando estadias, acolhendo novilúnios de coisas lindas e livres que se organizam no secreto rumor do tempo. Bem assim. Tínhamos vanguardas inteiras de perguntas elaboradas. […]
Recordações inumeráveis correm silenciosamente nas margens do rio (dos olhos do homem) “Janelas”, João Cabral de Melo Neto Um dos ensaios que mais lembro ter lido até hoje, com regozijo-além e depois arrebatante interesse nos anos seguintes, é o que foi escrito por Virginia Woolf em resposta [percuciente e lúcida] a […]
Goiânia – A Orquestra Filarmônica de Berlim (OFB) sobreviveu aproximadamente cinco décadas como uma cooperativa (a Gmbh), tendo seus músicos como acionistas. Modelo de gestão que, se por um lado permitiu a desejada autonomia, por outro trouxe constantes crises financeiras. Já no início da década de 1930, a Gmbh encontrava-se praticamente falida. Em vista disso, seus […]
A dois-bem-meus favoritos poetas, Lisa Alves e Sergio Luiz Blank “A cidade é um discurso”, dizia Roland Barthes. Um discurso, uma linguagem. Que pode contribuir ecoando apropriações e comunic(ações), tecendo mundos visíveis. Ou tão só dizer de um lugar-sem. Onde prédios crescem e se multiplicam sem nenhum critério. Com suas lógicas […]
“A expressão reta não sonha… a imaginação transvê.” (Manoel de Barros) Goiânia – Quando, em 1897, Stéphane Mallarmé publicou o poema “Un coup de dés jamais n’abolira le hasard” [Um lance de dados jamais abolirá o acaso], confabulações, sobressaltos e controvérsias transbordaram o campo — já em fervilhamentos — da composição poética, atraindo a atenção […]
Goiânia – 1 — A certa altura, em algum 12 de junho, cidade como outra qualquer Sai o casal de casa para comemorar o seu dia. Como é de se esperar, ele se faz todo em cordialidades: abre a porta do carro, estende a mão oferecendo o braço, caminha ao lado dela em gesto de […]
À Helena Frenzel, escritora-editora maranhense vivendo hoje na Alemanha, pela forma como estica horizontes com a escrita e pelas suas encantáveis letripulias Goiânia – Na semana em que morreu o historiador francês Jacques Le Goff, me atropelou uma pergunta em princípio esquisita, feita por um senhor de setenta e nove anos bem no meio da […]
Confira também o Burburinho
Goiânia – O técnico autorizado que Clarice chamou para consertar sua máquina de lavar tinha autoridade. Foi logo detectando o problema, seguro de suas habilidades, braços fortes, não desses músculos adquiridos em horas de marombagem na academia, mas bíceps e tríceps hipertrofiados em trabalhos forçados e pesados, mãozonas grossas de capinar lote e descarregar caminhão […]