Goiânia – Eu confesso: tenho mania de sinceridade e dou opinião sobre qualquer assunto, até mesmo os que desconheço por completo. Dou meu pitaco e meto meu bedelho em tudo, até naquilo que não fui chamada Quantas vezes não cheguei em casa e pensei: por que não consigo ficar calada?
Sinto uma vontade de ser como essas pessoas ponderadas, que pensam antes de falar e só falam o estritamente necessário. Sinto uma admiração por essa gente contida, que tem classe e jamais peca pelo excesso de palavras.
Eu, definitivamente, não sou uma delas. Sou uma bocuda.
A coisa complica ainda mais quando entra o ingrediente álcool. Cerveja, vinho e uísque, em qualquer dose, aumentam ainda mais minha necessidade absurda de ser sincera.
É o famoso sincericídio.
Falar verdades para alguém que não pediu sua opinião é uma das coisas mais insuportáveis do mundo. Um defeito imperdoável, eu sei.
No outro dia, na ressaca, a gente se lembra das bobagens que falou para o outro e – sempre – SEMPRE, se arrepende. Mesmo que tenha razão em tudo que falou. Mesmo que o outro seja um tio Patinhas avarento, que sempre dá um jeito de pagar menos na conta do bar. Mesmo que o outro seja um grandíssimo cafajeste ou um corno manso. O problema é dele, não seu. E ninguém pediu a sua opinião.
Nessa hora, sinto uma pontinha de inveja daqueles que sofrem de amnésia alcóolica, pois eu quase sempre lembro de cada frase dita quando o sincericídio me acomete.A cada lembrança da conversa super sincera meu corpo se encolhe e dá espamos involuntários. Pra quê tanta sinceridade, meu Deus?
Nessa hora dá vontade de pegar o telefone e ligar para pedir desculpas, mas é aquela história: a emenda é sempre pior que o soneto.
E nessa hora, você jura de pé junto que nunca mais vai dar opinião sobre nada. Nem quando te pedirem. Mas o sincericídio, além de aparecer nos momentos mais indevidos, ainda não tem cura conhecida.
Infelizmente.