Goiânia – Nunca fomos tão narcisistas. E nunca houve um tempo tão favorável para a super exposição do eu. Egos inflados, poses para o espelho, iphones apontados para si mesmo. Estamos vivendo a era do eu me amo. O auto-retrato tem nome: selfie.
A foto no espelho do elevador já é um clássico. Selfie que é selfie tem que fazer e tem que postar. Com biquinho, caras e bocas. Mesmo que seja para pagar mico. Na academia, no espelho do banheiro do restaurante, no retrovisor do carro.
É uma avalanche de gente que se ama e quer mais e mais aprovação e “likes”. Tá chato? Tá boring? Tá over?
Tá.
Auto estima é bom e todo mundo deveria ter. Assim como senso do ridículo. Claro, tem dia que você está se achando, caprichou no make, colocou aquele vestidinho que te emagreceu 5 quilos, está feliz. Ok. Posta lá. Mas qual a necessidade de colocar uma foto a cada dia, da sua belezura, mudando só a roupa e o cenário?
_Pode isso, Arnaldo?
Pode não. Aliás, o ego é uma fonte de frustração terrível. Quanto mais inflado, mais chance de decepção. Porque o auto centrado se acha merecedor de todos os louros, vitórias e benesses que a vida pode oferecer e quando não tem aquilo que – na sua percepção – lhe é de direito, aí só rivotril, recalques e insatisfação.
O auto centrado não vê as necessidades do outro, só enxerga a si mesmo. Precisa de elogios e aprovação o tempo todo. Na verdade, o selfie é um carente, louco por atenção. Neste Natal vamos começar uma campanha: adote um selfie e, se possível, dê um toque no seu pupilo: deixar de olhar para o próprio umbigo pode ser uma boa oportunidade de ser uma pessoa ainda mais bonita na frente do espelho.