O Outubro Rosa é uma campanha mundial de conscientização realizada anualmente, com o objetivo de informar e sensibilizar a população sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado do câncer de mama. No Brasil, algumas iniciativas também ampliam o debate para a prevenção do câncer do colo do útero. Mais do que iluminar monumentos e colorir espaços públicos, a campanha precisa reforçar uma mensagem essencial: cuidar da saúde da mulher deve ser um compromisso permanente.
Sempre tive uma preocupação especial com a saúde da mulher. Esse cuidado vem da minha família, da observação dos exemplos da minha avó e da minha mãe, que sempre incentivaram as mulheres ao seu redor, especialmente a mim e às minhas irmãs, a cuidar da própria saúde. Aprendi, desde cedo, que a informação e a atenção ao próprio corpo são fundamentais, mas que também é necessário buscar acompanhamento profissional e realizar os exames recomendados.
O autoexame pode ajudar a mulher a conhecer melhor o próprio corpo e perceber alterações nas mamas, mas não substitui a avaliação médica nem os exames de rastreamento. A mamografia continua sendo uma das principais ferramentas para identificar possíveis alterações, inclusive antes do aparecimento de sintomas. Por isso, ampliar o acesso aos exames e garantir que as mulheres recebam orientação adequada são medidas fundamentais para o diagnóstico precoce e para aumentar as chances de sucesso do tratamento.
Essa preocupação também se refletiu na minha atuação como vereadora. Na época, estabeleci parcerias para levar carretas de atendimento de saúde a regiões mais vulneráveis de Goiânia. Com essa iniciativa, conseguimos atender cerca de 4 mil mulheres, que tiveram a oportunidade de realizar mamografias. Foi uma experiência que reforçou minha convicção de que a prevenção precisa chegar a todas, independentemente da condição financeira ou do local onde vivem. Afinal, não basta orientar as mulheres a cuidar da saúde: é preciso oferecer condições reais para que elas tenham acesso aos serviços necessários.
Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde passou a recomendar a mamografia de rastreamento para mulheres a partir dos 40 anos, considerando a decisão compartilhada com o profissional de saúde. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, cerca de 20 mil mamografias foram realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na capital em 2026. O número demonstra a importância da oferta de exames e do fortalecimento das políticas públicas voltadas à saúde feminina.
Os dados sobre a doença reforçam a necessidade de ampliar os esforços. Em Goiás, a estimativa é de 2.150 novos casos de câncer de mama em 2026. Somente em Goiânia, são esperados 620 novos diagnósticos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A taxa bruta estimada é de 56,55 casos por 100 mil mulheres no estado e de 77,27 por 100 mil na capital.
De janeiro a julho de 2026, foram realizados 55.173 exames em Goiás. Esses procedimentos são importantes para identificar possíveis alterações e, quando necessário, encaminhar as pacientes para investigação diagnóstica e tratamento. O cuidado, porém, não pode terminar na realização do exame: é fundamental assegurar o acompanhamento especializado, a confirmação do diagnóstico e o acesso ao tratamento no tempo adequado.
Outro dado que merece atenção é o aumento da taxa de mortalidade por câncer de mama entre mulheres em Goiás, que passou de 14,6 óbitos por 100 mil mulheres, em 2024, para 16,6 por 100 mil, em 2025. Esse cenário evidencia a necessidade de fortalecer as estratégias de prevenção, ampliar o acesso ao diagnóstico e garantir assistência integral às pacientes. A informação, por si só, não resolve o problema, mas precisa orientar ações concretas do poder público e estimular a participação da sociedade.
Em Goiânia, a campanha também ganhou espaço por meio de iniciativas de conscientização. Neste Outubro Rosa, a Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Goiás (SBM-GO), em parceria com a Secretaria Municipal de Governo (SEGOV) e a prefeitura, instalou mais uma vez o tradicional túnel de guarda-chuvas cor-de-rosa. A estrutura chama a atenção de quem passa pelo local e contribui para dar visibilidade à campanha. Entretanto, é importante que a mensagem transmitida por ações simbólicas se traduza em informação, acesso aos exames e atendimento de qualidade. .
Outro exemplo de cuidado e compromisso com as mulheres ocorreu no dia 24 de outubro, aniversário de Goiânia, quando o Hospital Araújo Jorge realizou o 11º mutirão de reconstrução mamária, com 12 cirurgias. A iniciativa marcou também as sete décadas de história da instituição, referência no tratamento do câncer em Goiás. A reconstrução mamária representa, para muitas pacientes, uma etapa importante da recuperação, contribuindo para a autoestima, o bem-estar e a qualidade de vida após o tratamento.
O Outubro Rosa precisa ser mais do que uma campanha de um mês. Deve representar um chamado à responsabilidade coletiva, à ampliação das políticas públicas e à conscientização sobre a importância de cuidar da saúde durante todo o ano. Isso significa incentivar a busca por orientação profissional, garantir o acesso aos exames indicados, reduzir as desigualdades no atendimento e assegurar que nenhuma mulher fique sem acompanhamento por falta de informação ou de condições financeiras.
Prevenir também é acolher, orientar e oferecer acesso à saúde. É compreender que cada exame realizado, cada alteração investigada e cada paciente encaminhada para o tratamento adequado podem fazer a diferença. O compromisso com a saúde da mulher deve estar presente nas famílias, nas comunidades e nas instituições públicas. Afinal, quando falamos de prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama, estamos falando de vidas, de dignidade e do direito de todas as mulheres a um futuro com mais saúde e qualidade de vida.
*Sabrina Garcez é advogada, especialista em Direito Constitucional e Administrativo, e iniciou sua trajetória no movimento estudantil, onde ajudou a criar o Passe Livre Estudantil. Eleita vereadora por dois mandatos, foi a primeira mulher a presidir a CCJ e relatou projetos como o novo Plano Diretor. Atualmente, é Secretária Municipal de Governo de Goiânia, trabalhando por uma cidade mais acessível, justa e inclusiva.
