As cidades nascem a partir de seus centros e se expandem em direção à periferia. Com a implantação de novos loteamentos ao longo do tempo, surgem novos e novas centralidades, enquanto o Centro perde o protagonismo. Até que as distâncias, o trânsito e os custos de deslocamento passam a pesar no cotidiano. Nesse momento, morar no Centro volta a ser atrativo: estar perto de tudo, em uma região que já dispõe de infraestrutura consolidada, comércio, serviços, lazer, cultura e transporte. É a lógica urbana.
Esse movimento já ocorreu em diversas metrópoles do mundo e está acontecendo em capitais brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife. Em Goiânia, a retomada do Centro também já começou. E, quando o poder público investe nesse processo, a transformação ganha velocidade.
O Centro de Goiânia conta com uma infraestrutura privilegiada de mobilidade, conectada a importantes eixos de deslocamento, como o BRT, a Avenida Anhanguera, a Avenida 85 e a Marginal Botafogo. Em função disso, já é uma excelente alternativa para moradia.
O poder público municipal já reconheceu a importância dessa revitalização e tem o apoio de toda a população. Em 2021, o então prefeito Rogério Cruz aprovou incentivos fiscais para novas moradias no código tributário de Goiânia, incluindo isenção de IPTU por cinco anos e de ITBI para quem ainda não possui imóvel na cidade.
O prefeito Sandro Mabel, por sua vez, já falou em diversas ocasiões que a revitalização do Centro de Goiânia será uma marca da sua gestão, e vem promovendo importantes ações: revitalização dos calçadões da Rua 8 e da Rua do Lazer; melhorias na feira coberta da Avenida Paranaíba; mapeamento de 34 imóveis para recuperação de fachadas; retrofit de prédio abandonado; prováveis transformações do imóvel do Jóquei em centro de lazer e cultura; entre outras iniciativas.
A gestão municipal também reconhece que trazer moradores é essencial para acelerar essa transformação. Embora o Centro tenha movimento durante o dia, muitas áreas ficam desertas à noite. Para mudar esse cenário, a Prefeitura estruturou uma proposta de “aluguel solidário”, que prevê subsídio de até 50% do aluguel em imóveis desocupados, com a meta de atrair 3 mil famílias para a região.
O Governo de Goiás também contribui para esse movimento, com a transferência de secretarias para o antigo prédio da Caixa Econômica Federal e a previsão de novas torres para abrigar órgãos públicos. Na Câmara Municipal, discute-se ainda a concessão de mais incentivos fiscais para novas moradias, incluindo isenção de ITBI e de IPTU por dez anos.
A chegada de novos moradores estimula o consumo, fortalece o comércio, amplia a oferta de serviços e aumenta a circulação de pessoas, inclusive à noite. O resultado será um Centro mais vivo, seguro, atraente e valorizado.
Há também oportunidades concretas de demanda habitacional. Com as restrições à verticalização no Setor Universitário previstas no novo Plano Diretor, o Centro ganha relevância como alternativa para atender parte dessa procura.
Além disso, a região concentra 37 grandes hospitais e outros 60 estabelecimentos de saúde. Segundo o Observatório do Município de Goiânia, 57% dos visitantes da capital vêm em busca de tratamentos e procedimentos médicos. O Centro de Convenções atrai eventos, feiras e congressos. A região da 44 se tornou o segundo maior polo de moda do Brasil e recebe diariamente compradores de todo o Brasil, que compram no atacado para revender em suas cidades. Novos apartamentos podem atender a essas demandas e impulsionar a modernização da região.
A chegada de novos moradores trará ao Centro aquilo que nós, goianienses, desejamos: mais vida, dinamismo e segurança. O Centro voltará a ser um lugar para morar, conviver, frequentar e admirar. Porque revitalizar o Centro não é apenas uma escolha urbanística. É uma questão de lógica urbana.
*Fernando Razuk é CEO da SOMOS Desenvolvimento Imobiliário e presidente do Conselho da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO).
