O calor intenso e a baixa umidade, característicos dos períodos mais secos em Goiás, alteram a rotina das famílias e exigem atenção especial com as crianças. Para aquelas que convivem com doenças cardíacas e fazem tratamento contínuo, os cuidados ganham ainda mais importância, já que a perda de líquidos pode exigir atenção específica de acordo com a condição clínica de cada paciente.
Algumas condições cardíacas e determinados tratamentos tornam importante o acompanhamento do equilíbrio de líquidos e eletrólitos do organismo. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças com insuficiência cardíaca podem precisar de medicamentos como diuréticos, vasodilatadores e betabloqueadores. Alterações nos níveis de eletrólitos podem favorecer arritmias e comprometer a função cardíaca. Por isso, os cuidados durante os períodos de calor precisam considerar as particularidades de cada criança e o tratamento realizado.
A presença de uma cardiopatia, no entanto, não significa que a criança precise ser afastada de atividades ou ter sua rotina restringida sem indicação médica. Cada paciente apresenta uma condição clínica diferente e deve seguir as orientações do especialista que acompanha seu tratamento. Mais do que estabelecer restrições, o objetivo deve ser compreender os limites indicados para cada caso.
Esse cuidado também envolve atenção aos sinais apresentados durante os dias mais quentes. Falta de ar, cansaço excessivo, desmaio, tontura e palpitações devem ser observados pelos responsáveis, principalmente quando são diferentes do habitual. Esses sintomas não devem ser automaticamente atribuídos ao calor. Dependendo da intensidade, é importante procurar atendimento médico para que a criança seja avaliada adequadamente.
Outro ponto que merece atenção é o uso dos medicamentos contínuos. Eles não devem ser interrompidos, ter a dose alterada ou o horário modificado por decisão dos responsáveis, mesmo quando as temperaturas estão elevadas. Qualquer ajuste deve ser feito pelo médico que acompanha o paciente.
A rotina nos dias quentes pode ser adaptada sem que isso signifique impedir a criança de brincar ou realizar atividades. A recomendação é evitar a exposição direta ao sol nos horários de maior calor, manter a criança em ambientes ventilados e oferecer líquidos conforme a orientação médica e as necessidades de cada paciente. Durante brincadeiras e atividades físicas, os responsáveis devem observar sinais de mal-estar e interromper a atividade caso eles apareçam.
Mais importante do que limitar desnecessariamente as atividades é conhecer os limites indicados para cada caso. Com acompanhamento adequado e atenção aos sinais do organismo, é possível manter uma rotina ativa e segura mesmo nos períodos de temperaturas mais altas. A presença de uma cardiopatia não deve significar uma infância marcada por restrições desnecessárias, mas por cuidados definidos de acordo com cada condição clínica. O maior desafio, portanto, é encontrar o equilíbrio entre proteção e autonomia.
*Mirna de Sousa é cardiopediatra
