Logo
(Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

Gameleiras de quase 70 anos resistem às transformações de Goiânia e viram parte da memória do Setor Oeste

Árvores cresceram junto com a cidade

WhatsAppFacebookLinkedInX
04.09.2026 - 10:32:35

Carolina Pessoni

Goiânia – Há quase sete décadas, quatro gameleiras fazem sombra na Praça Mestre Maria Henriqueta Péclat, no Setor Oeste, conhecida pelos goianienses como Praça da Cirrose, na região central de Goiânia. As árvores cresceram junto com a cidade e se tornaram parte da paisagem de uma das regiões mais tradicionais da capital. Hoje, suas copas fazem parte do cotidiano de quem passa, trabalha ou permanece no local.

A história dessas árvores ajuda a contar também a história da arborização de Goiânia. Desde a criação da cidade, na década de 1930, praças, avenidas e espaços públicos foram pensados em diálogo com a vegetação. Ao longo das décadas, porém, a expansão urbana modificou a paisagem e tornou cada exemplar adulto ainda mais significativo para o ambiente construído.

A arborização urbana exerce funções ambientais importantes. As árvores ajudam a reduzir a incidência direta do sol, amenizam o calor, contribuem para o conforto térmico e participam da regulação do microclima. Também favorecem a infiltração da água da chuva, a qualidade do ar e a presença de biodiversidade nos espaços urbanos. O Ministério do Meio Ambiente destaca ainda a relação entre áreas verdes, bem-estar, convivência social e redução dos efeitos das ondas de calor.

 

(Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

 

Na Praça da Cirrose, esses benefícios podem ser percebidos na experiência cotidiana. Marcos Mateus trabalha em frente às gameleiras há mais de 20 anos e acompanhou boa parte dessa história. Para ele, a convivência com as árvores representa uma presença positiva no dia a dia. “A sombra, o ar puro, o frescor da natureza, a oxigenação é uma coisa muito boa”, afirma.

A relação construída ao longo dos anos também transformou as gameleiras em referências daquele trecho do Setor Oeste. Árvores de grande porte ajudam a criar identidade para praças e ruas, tornando determinados espaços imediatamente reconhecíveis. O próprio conceito de arborização urbana contempla essa dimensão histórica, cultural e paisagística das árvores, que passam a integrar a memória coletiva das cidades.

Preservar árvores adultas também significa considerar o tempo necessário para que uma nova arborização alcance porte semelhante. Uma muda plantada hoje precisará de muitos anos para desenvolver uma copa capaz de oferecer sombra e os demais benefícios ambientais de um exemplar maduro. Por isso, o manejo adequado e a avaliação técnica individualizada são fundamentais para a permanência de árvores antigas em áreas urbanas.

 

 

Marcos Mateus trabalha em frente às gameleiras há 20 anos (Foto: Sabrina Schreiner/A Redação)

 

No caso das gameleiras da Praça Mestre Maria Henriqueta Péclat, a história recente trouxe justamente essa discussão. Avaliações apontaram riscos relacionados à queda de galhos e a possíveis danos materiais e físicos, além de análise das condições dos exemplares.

Marcos conta que, ao longo do tempo, também presenciou episódios envolvendo quedas de galhos e danos materiais. Segundo ele, telhados do estabelecimento precisaram ser substituídos algumas vezes. É justamente nessa convivência entre os benefícios de uma árvore adulta e os cuidados necessários para mantê-la em ambiente urbano que está o desafio atual. “Então, a gente está lutando para trazer uma solução”, afirma.

Em agosto de 2026, o Ministério Público de Goiás recomendou a suspensão imediata do corte das gameleiras e a realização de nova avaliação, diante de divergências encontradas em documentos técnicos anteriores. A recomendação também considera a análise de alternativas, como podas e tratamentos, antes de uma eventual supressão.

Em nota, a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) informou que foi notificada da recomendação do Ministério Público sobre a recomendação de suspensão de corte das gameleiras e a realização de nova avaliação. A agência afirmou, ainda, que atenderá à recomendação e fornecerá todas as informações solicitadas

Enquanto o futuro das quatro árvores é discutido, elas continuam cumprindo um papel que construíram ao longo de quase 70 anos: sombrear a praça, marcar a paisagem e acompanhar a vida de Goiânia. Em uma cidade que cresce e se transforma, preservar a memória também pode significar reconhecer o valor das árvores que cresceram junto com ela.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Carolina Pessoni

*Jornalista formada pela UFG, especialista em Assessoria de Comunicação e Marketing também pela UFG

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Noite e Dia
19.10.2026
OCB/GO homenageia lideranças por atuação em prol do cooperativismo; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Sistema OCB/GO homenageou, na última sexta-feira (16/10), três personalidades de destaque nos cenários regional e nacional, pelas suas contribuições ao cooperativismo. O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, a presidente-executiva do Sistema OCB Nacional, Tania Zanella, e o ex-ministro da Agricultura, ex-presidente do Sistema OCB Nacional e da Aliança Cooperativa Internacional, […]

Noite e Dia
16.10.2026
Evento para convidados marca estreia de série documental sobre Marília Mendonça; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A capital recebeu, na noite desta quinta-feira (15/10), a estreia de “Marília Mendonça: Sentimento Louco”, no Cine Aurum, no Centro Cultural Oscar Niemeyer. A série documental Original Prime estreia ao público nesta sexta-feira (16). A produção retrata a trajetória da cantora goiana, sua ascensão no sertanejo e o legado de uma […]

Joias do Centro
16.10.2026
Centro Cultural Marietta Telles Machado reúne memória, arte e novos planos para o futuro

Carolina Pessoni Goiânia – Na Praça Cívica, em meio aos edifícios que marcaram os primeiros anos da capital goiana, uma construção guarda diferentes capítulos da história de Goiânia e da vida cultural do Estado. O Centro Cultural Marietta Telles Machado foi o primeiro edifício público construído estrategicamente na praça, concebido para abrigar a Secretaria Geral […]

Noite e Dia
14.10.2026
Convidados prestigiam abertura de exposição de Kdu dos Anjos em Goiânia; veja fotos

Carolina Pessoni Goiânia – O Centro Cultural UFG (CCUFG) recebeu, na terça-feira (13/10), a abertura para convidados da exposição “Memórias, Imagens e Arquiteturas da Permanência”, de Kdu dos Anjos. Na exposição apresentada em Goiânia, o artista reúne trabalhos das séries “Sentinelas — Carrancas Pinceladas”, “Nóis que Ficamo” e “Cidade de Deus”. Sua pesquisa parte de fotografias, […]

LABORATÓRIO PÚBLICO - CIÊNCIA, POLÍTICA E MEIO AMBIENTE
13.10.2026
Votemos, então

A vida me proporcionou exercer ofícios muito diferentes até aqui, ocupar portanto lugares e perspectivas distintas na sociedade. Por isso, me sinto numa responsabilidade múltipla diante do segundo turno da eleição presidencial. Primeiro, antes do trabalho, por caminhos tortuosos, a vida me tornou radicalmente democrata. Isso é, em grande medida, herança do meu pai, Washington […]

Noite e Dia
12.10.2026
Famílias aproveitam o primeiro final de semana da reabertura do Mutirama; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – Após obras de recuperação e melhorias na estrutura e na segurança, o Mutirama voltou a receber o público a partir deste sábado (10/10). No domingo, famílias aproveitaram para curtir o parque e antecipar as comemorações do Dia das Crianças. Com 22 atrações recuperadas, estão disponíveis ao público a roda-gigante, telecombate, autopista, […]

CURADORIA AFETIVA
11.10.2026
CoCriar

Poucas mulheres na história da Humanidade conseguiram um feito tão nobre quanto o de Indra Devi (1899-2002). Natural da atual Letônia, usou do poder de sua diplomacia cultural para conseguir ser aceita como aluna no Palácio de Mysore, na Índia e aprender os segredos do yoga, até então apenas praticado por homens. Submetida à rígidas […]

Noite e Dia
09.10.2026
Curso de Jornalismo da UFG lança Cordel em comemoração aos 60 anos; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – Em celebração aos 60 anos do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás (1966-2026), foi lançado nesta quinta-feira (8/10), às 10h30, no Pátio das Humanidades, no Câmpus Samambaia da UFG, o Cordel da Fundação do Curso de Jornalismo da UFG. O Cordel foi composto e impresso no Ateliê Tipográfico da […]