Carolina Pessoni
Goiânia –
Entre telas, encontros e projetos culturais, uma casa da Rua 5 ajuda a contar um capítulo recente da produção artística goiana. Ali funciona a sede da Associação Goiana de Artes Visuais (Agav), entidade que completa 20 anos em 2026 e escolheu o Centro de Goiânia não apenas como endereço, mas como posicionamento.
A mudança para a região central aconteceu há quase quatro anos, durante a gestão do artista plástico Pedro Galvão. Até então, a associação funcionava de forma itinerante nos ateliês dos próprios artistas que integravam as diretorias. Passou pelo Jardim América, pelo Jardim Esmeralda e por outros espaços improvisados até encontrar uma sede fixa na Rua 5.
Para Pedro, a escolha foi resultado de uma convicção compartilhada pelos associados. “Entendemos que é preciso mudar esse conceito da região administrativa para histórica e cultural. Na minha gestão, eu propus isso e, então, fomos para o Centro”, afirma.

Pedro Galvão, presidente da Agav (Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
A decisão foi aprovada pelos artistas ligados à entidade e aproximou a Agav de instituições que há décadas ajudam a preservar a produção intelectual e artística da cidade. Na mesma região estão espaços como o Teatro Goiânia, a Vila Cultural Cora Coralina, o Centro Cultural Otto Marques, a União Brasileira de Escritores de Goiás (UBE-GO), o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), a Academia Goiana de Letras (AGL) e a Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (Aflag). “Então, nada mais do que justo levar nossa associação para o Centro e participar da reconstrução dele, já que temos um carinho pela localidade”, diz.
A história da Agav começou em 2006, quando um grupo de artistas visuais identificou demandas comuns e percebeu a necessidade de construir uma representação coletiva. A associação nasceu do desejo de fortalecer a categoria, ampliar espaços de exposição e criar uma rede de apoio para os profissionais das artes visuais.
O primeiro presidente foi o artista plástico Juca de Lima. A entidade foi oficialmente registrada em 2009, durante a gestão de Vânia Ferro, artista com longa trajetória nas artes plásticas goianas. Depois vieram os mandatos de Nonatto Coelho, Valdir Ferreira e, desde 2022, Pedro Galvão. Registros públicos da entidade confirmam sua formalização naquele ano e sua atuação voltada à promoção cultural e artística.

(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
Os primeiros anos foram marcados por desafios financeiros e estruturais, realidade comum a muitas instituições culturais independentes. Ainda assim, a associação conseguiu sobreviver graças ao esforço dos próprios artistas. “Começamos com muitas dificuldades, como sempre acontece no início de qualquer instituição. Não deixamos que esse sonho acabasse”, recorda Pedro.
Ao longo dos anos, a Agav realizou exposições em diversos espaços culturais e institucionais da cidade. Entre eles estão universidades, o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e a Assembleia Legislativa, que recebeu exposições promovidas pela associação ainda na década passada.
O grande salto aconteceu em 2023, quando a entidade conquistou sua primeira sede própria por meio de locação. O espaço passou a abrigar também uma galeria de arte, ampliando a programação cultural desenvolvida pela associação. “A sede foi um grande passo para ter um espaço nosso e também nossa galeria.”

(Foto: Rodrigo Obeid/A Redação)
Além das exposições, o local recebe feiras, encontros e eventos culturais. A associação também já desenvolveu oficinas artísticas em parques e escolas por meio de projetos contemplados em editais culturais.
Hoje, a Agav reúne mais de 180 associados. Embora mantenha raízes profundamente goianas, ultrapassou fronteiras estaduais e nacionais, contando com integrantes de estados como Bahia, Ceará e Paraná, além de artistas residentes na Alemanha e na Itália. Um dos nomes mais conhecidos ligados à entidade é Siron Franco, associado há cerca de três anos.
Mais do que ampliar o alcance da produção artística, a presença da associação no Centro representa uma defesa prática da região como território cultural vivo. “O Centro representa muito para nós. É importante que as instituições permaneçam ali. Eu luto para que a Agav continue no mesmo local.”
Em uma área da cidade que carrega parte importante da memória de Goiânia, a associação segue fazendo o que a arte costuma fazer de melhor: ocupar espaços, criar encontros e produzir novos significados para lugares que insistem em permanecer relevantes.

Ótimo matéria! Texto limpo e informativo