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(Foto: reprodução)

Saiba como foi operação que matou El Mencho, chefe de cartel no México

Ação deixou dezenas de mortos

23.02.2026 - 16:15:47
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Brasília – A localização de uma pessoa de confiança de uma das namoradas do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, foi o que permitiu às autoridades do México realizarem uma operação para prender o criminoso. El Mencho é líder de um dos principais cartéis de drogas do país, procurado internacionalmente.

Com informações adicionais dos serviços de inteligência dos Estados Unidos (EUA), os militares mexicanos localizaram o criminoso em um povoado do estado de Jalisco, onde ele construiu seu império de drogas por meio do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG).

El Mencho foi morto durante uma operação, no domingo (22), e sua morte provocou terror país, com represálias que deixaram dezenas de mortos, vias bloqueadas, automóveis incendiados, prédios públicos e comerciais atacados, além de emboscadas contra autoridades.

Após a onda de violência, o México amanheceu, nesta segunda-feira (23), sem mais distúrbios ou bloqueios de vias públicas, segundo informou a presidenta Cláudia Sheinbaum, que garantiu que o país estaria “em paz”, em coletiva de imprensa.

“Nossos pêsames às famílias dos militares que perderam suas vidas ontem. E nosso mais profundo respeito. O povo do México deve se orgulhar muito de nossas Forças Armadas e de nosso gabinete de segurança.”

Ontem, o México registrou 252 bloqueios em 20 dos 31 estados do país. Os ataques causaram a morte de 27 agentes do estado, além de 30 suspeitos de participarem das ações violentas a mando do cartel CJNG, segundo o Gabinete de Segurança da presidência do México. De acordo com as autoridades, o cartel ofereceu 20 mil pesos por militar assassinado.

O Cartel de Jalisco é relativamente novo, tendo se expandido a partir dos anos 2010. Ele se consolida como uma das organizações mais poderosas do México, segundo informou a advogada especialista em políticas sobre drogas, Gabriela de Luca.

“Seu principal rival tem sido o Cartel de Sinaloa, com quem disputa rotas internacionais, corredores logísticos e territórios em diversos estados — uma rivalidade amplamente apontada como um dos fatores centrais da violência recente no país”, disse a especialista.

A operação
O serviço de inteligência do país conseguiu interceptar uma pessoa de confiança de uma das “parceiras” do narcotraficante, informou o secretário de Defesa Nacional da presidência, o general Ricardo Trevilla.

“Em 20 de fevereiro, por meio de operações da Inteligência Militar Central, um associado de confiança de uma das parceiras amorosas de El Mencho foi localizado. Ele a levou a uma instalação na cidade de Tapalpa, em Jalisco”, disse Trevilla.

Essa suposta namorada do traficante teria se reunido com El Mencho nesse imóvel no sábado (21), onde ele estaria com seu círculo pessoal mais próximo. No domingo, foi realizada a operação para prendê-lo.

Foram mobilizados agentes de forças especiais do Exército, da Aeronáutica e da Guarda Nacional do México. A operação contou com seis helicópteros e aviões modelo Texan. Ao se ver cercada por militares, a segurança pessoal de El Mencho abriu fogo, permitindo a fuga do narcotraficante.

“Mencho fugiu, deixando para trás um grupo com grande quantidade de armas; foi um ataque verdadeiramente violento perpetrado por um grupo do crime organizado. E os militares das Forças Especiais repeliram o ataque”, disse o general.

Os suspeitos estariam com armas pesadas, entre elas, sete fuzis, granadas e dois lançadores de foguetes. El Mencho e alguns seguranças conseguiram escapar da emboscada para uma área arborizada próxima.

Os militares estabeleceram um perímetro na região e localizaram El Mencho escondido em área de vegetação rasteira, ainda com vida.

Novamente, seus guarda-costas teriam aberto fogo contra os militares. Durante esse segundo tiroteio, um helicóptero do Estado precisou realizar pouso de emergência após ser atingido por um projétil de arma de fogo.

Ainda segundo relato do general mexicano, as forças especiais teriam repelido essa segunda agressão, deixando El Mencho gravemente ferido junto com dois de seus guarda-costas.

“Assim que a situação foi controlada, a equipe médica militar chegou ao local onde Mencho e sua equipe de segurança estavam. Todos os feridos estavam em estado crítico. Um helicóptero foi solicitado para pousar e transportá-los para um centro médico em Jalisco. Mencho, seus dois guarda-costas e o oficial ferido foram transportados. Infelizmente, ele faleceu durante o transporte”, completou Trevilla.

As duas trocas de tiros teriam causado a morte de 15 pessoas suspeitas de participarem do Cartel de Jalisco. Ao todo, três militares mexicanos ficaram feridos.

Para o general mexicano Trevilla, a operação demonstrou “a fortaleza do Estado mexicano”.

Desde 2016, El Mencho está na lista de fugitivos mais procurados pelos EUA. O vizinho do Norte oferecia US$ 15 milhões por informações pela sua captura. No México, informações que levassem à prisão do narcotraficante valiam recompensa de 30 milhões de pesos.

Cotidiano alterado
O jornalista e escritor Enrique Blanc, que vive em Guadalajara, capital do estado Jalisco, informou à Agência Brasil que a cidade ficou deserta no domingo, como nos tempos da pandemia da covid-19, com comércios fechados.

“Há incertezas. Os comércios ainda estão fechados. Mais tarde, estarei na cidade produzindo meu programa para a Rádio Universidade de Guadalajara. Espero que tudo volte ao normal em breve”, comentou.

Parceria dos EUA
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, comentou a operação que levou à morte do narcotraficante, destacando o papel de Washington que encontrou o líder do cartel, que é classificado como organização terrorista pelo governo Trump:

“El Mencho era um alvo prioritário para os governos mexicano e americano, sendo um dos principais traficantes de fentanil para o país. O governo Trump também elogia e agradece às Forças Armadas mexicanas pela cooperação e pelo sucesso na execução desta operação”, disse a funcionária da Casa Branca em uma rede social.

Ao falar sobre a participação dos EUA na operação, a presidente do México Cláudia Shanbaum enfatizou que ela foi limitada à troca de informações.

“Todas as operações são conduzidas por forças federais. Não há participação de forças americanas na operação. O que existe é uma grande troca de informações.”

O general Trevilla acrescentou que a primeira parte da informação, do círculo próximo de uma das parceiras de El Mencho, foi um trabalho da inteligência do México.

“Havia, insisto, muitas informações adicionais muito importantes que os EUA nos forneceram, mas tudo isso, uma vez integrado e minuciosamente analisado, nos permitiu identificar a localização exata. Mas as informações iniciais sobre o parceiro romântico e seu círculo íntimo, e assim por diante, são produto da inteligência coletada por militares [do México]”, completou.

Cartel de Jalisco
A especialista em políticas sobre drogas Gabriela de Luca acrescentou à Agência Brasil que o Cartel de Jalisco tem grande capacidade armada, controle de rotas estratégicas do comércio de drogas e protagonismo na produção e exportação de drogas sintéticas.

Para a especialista, a morte de El Mencho pode produzir, no curto prazo, instabilidade e ações para sinalizar continuidade operacional. No médio prazo, um dos riscos “mais sensíveis é o de disputas sucessórias ou fragmentações internas, dinâmicas que, em experiências anteriores, estiveram associadas ao aumento da violência local”.

Gabriela pondera que, para o tráfico de drogas, o efeito mais provável não é uma retração imediata do fluxo, mas uma reconfiguração no poder dos cartéis.

“Possivelmente o próprio [Cartel de] Sinaloa, entre outros — podem tentar ocupar rotas e territórios, redistribuindo forças no mercado ilícito”, concluiu. (Agência Brasil)

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por Taíssa Gomes

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