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Explosão nuclear (Foto: WikiImages)
Explosão nuclear (Foto: WikiImages)

Pacto de armas nucleares entre Rússia e EUA expira nesta quinta

Especialistas temem risco de conflito atômico

05.02.2026 - 12:14:20
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São Paulo – O último pacto de armas nucleares remanescente entre a Rússia e os Estados Unidos expira nesta quinta-feira (5/2), removendo, pela primeira vez em mais de meio século, quaisquer limites para os dois maiores arsenais atômicos do planeta.

Conhecido como Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (NewStart, na sigla em inglês), o acordo prevê limites às ogivas nucleares de longo alcance desenvolvidas por Estados Unidos e Rússia. Seu colapso, para especialistas, abriria caminho para o que muitos temem ser uma corrida armamentista nuclear desenfreada.

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou estar pronto para respeitar os limites do acordo por mais um ano, caso Washington faça o mesmo, mas o presidente Donald Trump não se comprometeu com a prorrogação.

Nos últimos meses, Trump vem indicando que gostaria de envolver a China em negociações de controle de armas, algo que Pequim rejeita, segundo uma fonte da Casa Branca que não estava autorizado a falar publicamente e falou sob condição de anonimato. Ainda de acordo com essa fonte, Trump tomará uma decisão sobre o controle de armas nucleares no momento oportuno.

Putin discutiu o término do pacto com o líder chinês Xi Jinping, disse o conselheiro do Kremlin, Yuri Ushakov, observando que Washington não respondeu à sua proposta de prorrogação. A Rússia “agirá de forma equilibrada e responsável, com base em uma análise minuciosa da situação de segurança”, afirmou Ushakov.

Defensores do controle de armas expressam preocupação com o vencimento do tratado, alertando que ele pode levar a uma nova corrida armamentista, fomentar a instabilidade global e aumentar o risco de um conflito nuclear.

O papa Leão XIV pediu na quarta-feira que o tratado “não seja abandonado sem que se busque garantir sua continuidade concreta e efetiva”.

Para Daryl Kimball, diretor executivo da Associação de Controle de Armas em Washington, a falta de acordo sobre a manutenção dos limites do pacto provavelmente incentivará um aumento no número de armas nucleares. “Chegamos ao ponto em que os dois lados poderiam, com o vencimento deste tratado, pela primeira vez em cerca de 35 anos, aumentar o número de armas nucleares implantadas por cada lado”, disse Kimball à Associated Press.

“E isso abriria a possibilidade de uma corrida armamentista descontrolada e perigosa entre três países, não apenas entre os EUA e a Rússia, mas também envolvendo a China, que também está aumentando seu arsenal nuclear, menor, mas ainda mortal.”

Kingston Reif, da RAND Corporation, ex-secretário adjunto de defesa dos EUA, concorda com o ativista. “Na ausência da previsibilidade do tratado, cada lado poderia ser incentivado a planejar para o pior ou a aumentar seus arsenais implantados para demonstrar firmeza e determinação, ou a buscar vantagens nas negociações”, disse.

Desde a invasão da Ucrânia, em 2022, Putin tem repetidamente ameaçado usar o poderio nuclear da Rússia. Frequentemente, ele diz que Moscou está preparada para usar “todos os meios” para proteger seus interesses de segurança. Em 2024, ele assinou uma doutrina nuclear revisada, que amplia as circunstâncias nas quais armas nucleares podem ser usadas pelo regime russo.

Assinado em 2010

O Novo Start, assinado em 2010 pelos presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev, restringiu a cada lado o máximo de 1.550 ogivas nucleares e 700 mísseis e bombardeiros – implantados e prontos para uso. Originalmente, deveria expirar em 2021, mas foi prorrogado por mais cinco anos.

O pacto previa inspeções abrangentes no local para verificar o cumprimento das normas, embora elas tenham sido interrompidas em 2020 em virtude da pandemia de covid-19 e nunca tenham sido retomadas.

Em fevereiro de 2023, Putin suspendeu a participação de Moscou, afirmando que a Rússia não poderia permitir inspeções americanas em suas instalações nucleares em um momento em que Washington e seus aliados da Otan declararam abertamente a derrota de Moscou na Ucrânia como seu objetivo. Ao mesmo tempo, o Kremlin enfatizou que não estava se retirando completamente do pacto, prometendo respeitar os limites para armas nucleares.

Já em setembro do ano passado, Putin ofereceu estender o tratado por um ano, a fim de ganhar tempo para que ambos os lados negociassem um novo acordo . O líder russo disse que o vencimento do pacto seria desestabilizador e poderia alimentar a proliferação nuclear.

Rose Gottemoeller, principal negociadora americana para o pacto e ex-vice-secretária-geral da Otan, disse que estendê-lo teria servido aos interesses dos EUA. “Uma prorrogação de um ano dos limites do Novo Start não prejudicaria nenhuma das medidas vitais que os Estados Unidos estão tomando para responder ao aumento do programa nuclear chinês”, disse ela em uma discussão online no mês passado.

Pactos anteriores

O Novo Start sucedeu uma longa sucessão de pactos de redução de armas nucleares entre os EUA e a Rússia, começando com o Salt I em 1972, assinado pelo presidente dos EUA, Richard Nixon, e pelo líder soviético, Leonid Brezhnev – a primeira tentativa de limitar seus arsenais.

O Tratado de Mísseis Antibalísticos de 1972 restringiu os sistemas de defesa antimíssil dos países até que o presidente George W. Bush retirou os EUA do pacto em 2001, apesar dos alertas de Moscou.

O Kremlin descreveu os esforços de Washington para construir um escudo antimíssil como uma grande ameaça, argumentando que isso corroeria a dissuasão nuclear da Rússia, dando aos EUA a capacidade de abater seus mísseis balísticos intercontinentais.

Em resposta, Putin ordenou o desenvolvimento do míssil de cruzeiro Burevestnik, com ogiva e propulsão nuclear, e do submarino Poseidon, também com ogiva e propulsão nuclear. A Rússia afirmou no ano passado que testou com sucesso o Poseidon e o Burevestnik e está preparando seu destacamento.

Também foi encerrado em 2019 o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, assinado em 1987, que proibia mísseis terrestres com alcance entre 500 e 5.500 quilômetros. Esses mísseis eram considerados particularmente desestabilizadores devido ao seu curto tempo de voo até os alvos, deixando apenas alguns minutos para decidir sobre um ataque retaliatório e aumentando a ameaça de uma guerra nuclear com base em um falso alerta.

Em novembro de 2024 e novamente no mês passado, a Rússia atacou a Ucrânia com uma versão convencional de seu novo míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik. Moscou afirma que ele tem um alcance de até 5.000 quilômetros (3.100 milhas), capaz de atingir qualquer alvo europeu, com ogivas nucleares ou convencionais.

Ameaça ‘Golden Dome’

“Sem acordos que limitem os arsenais nucleares, a Rússia repelirá prontamente e com firmeza quaisquer novas ameaças à nossa segurança”, disse Medvedev, que assinou o tratado Novo START e agora é vice-chefe do Conselho de Segurança de Putin.

“Se não formos ouvidos, agiremos proporcionalmente, buscando restaurar a paridade”, disse ele em declarações recentes.

Medvedev mencionou especificamente o sistema de defesa antimíssil Domo Dourado, proposto por Trump, entre as medidas potencialmente desestabilizadoras, enfatizando uma estreita ligação entre armas estratégicas ofensivas e defensivas.

O plano de Trump preocupou a Rússia e a China, afirmou Kimball. “É provável que eles respondam ao Domo Dourado aumentando o número de armas ofensivas que possuem para sobrecarregar o sistema e garantir que tenham o potencial de retaliar com armas nucleares”, disse ele, acrescentando que as capacidades ofensivas podem ser construídas mais rápida e barata do que as defensivas.

A declaração de Trump em outubro sobre as intenções dos EUA de retomar os testes nucleares pela primeira vez desde 1992 também preocupou o Kremlin, que realizou seu último teste em 1990, quando a URSS ainda existia. Putin disse que a Rússia responderá da mesma forma se os EUA realizarem os testes, que são proibidos por um tratado global assinado por Moscou e Washington.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse em novembro que tais ações não incluiriam explosões nucleares.

Para Kimball, a retomada dos testes pelos EUA abriria um enorme buraco no sistema global de redução do risco nuclear”, levando a Rússia a responder da mesma forma e tentando outros países, incluindo China e Índia, a seguirem o exemplo. “Isso marca um possível ponto de virada para um período muito mais perigoso de competição nuclear global, como nunca vimos em nossas vidas”, acrescentou. (Agência Estado)

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por Agência Estado

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