Goiânia – Todo turista é meio parecido. Quando viajamos a gente fica com aquele ar meio bobo, de quem acha tudo maravilhoso, de quem contempla e vê beleza em tudo.
Em tempos de smartphones e redes sociais, além de embasbacados também queremos embasbacar os outros. E dá-lhe monumento, jardim, museu, igreja, restaurantes, comidas e paisagens postadas compulsivamente, afinal o Instagram é o novo albinho do Fujioka de outrora.
Agora sejamos honestos: tem coisa mais chata que fazer turismo? Vamos falar a verdade: Pouca coisa é mais entendiante do que pegar uma fila monstra, se amontoar pra ver um quadro, dando cotoveladas no japonês do lado para tentar ver um pouquinho mais de perto a obra de arte.
E visitar igreja? Chega uma hora a gente nem se lembra se o monumento foi em Viena ou em Praga, Burgos ou Madrid. Especialmente se a viagem for uma daquelas excursões para Europa que vendem 20 países em 15 dias. Ou seja: uma gincana de quem viaja mais de ônibus, visita mais monumentos e, na verdade, conhece menos lugares.
Eu até gosto de fazer um turismozinho, mas bem pouco. Se tiver que visitar duas atrações por dia já me dá um certo pânico. O que mais gosto é fazer em viagens é ver o movimento das ruas, obsevar as pessoas, conhecer gente, conversar e dar risadas, de preferência bem sentadinha num bom boteco local, com chope gelado e bons petiscos. Ou seja, viajo para comer e beber.
(Fotos: Bia Tahan)
Não é à toa que os locais jamais visitam pontos turísticos. Pergunte a um carioca quantas vezes ele foi ao Pão de Açúcar e a resposta mais provável será nenhuma. Agora pergunte para essa mesma pessoa se ela conhece o Jobi, no Leblon, ou o Bar Urca para ver o que responde. Provavelmente vai te falar qual prato pedir, o preço e até o nome do garçom.
E quando a gente volta de uma viagem tem sempre aquele amigo-da-onça-desmancha-prazeres que pergunta: e lá em Istambul, você fez o passeio pelo Bósforo?
Bom, aquele passeio latada não deu certo de ir pois você já estava muito bêbado de vinho turco para pegar qualquer meio de locomoção, quanto mais um barco. Mas, responde sem titubear:
"-Claro, é maravilhoso!!!"
Tem coisas nessa vida que a gente aprende e não esquece mais. Mais vale uma mentirinha inofensiva do que dar o gostinho para o amigo-da-onça-desmancha-prazeres dizer:
"-Nossa! Então você não conheceu a Turquia!"