Goiânia – Há algumas semanas está circulando na rede uma Carta às empregadas domésticas. A tal carta é um recado ressentido das mulheres de classe
média e alta para suas funcionárias sobre seus deveres com a aprovação da PEC
das Domésticas.
Não vou entrar em detalhes sobre o teor da carta, porque sinceramente
é de um recalque típico da classe média brasileira quando crê que está perdendo seus
privilégios em função do avanço social de quem é considerado inferior.
A mesma classe média que ama fazer compras em Miami e elogia
o quanto os Estados Unidos é “um país de primeiro mundo” é a primeira a atirar
pedras em uma lei que nos engrandece como nação e que representa o maior avanço
social desde a criação da Consolidação das Leis do Trabalho sancionada pelo então
presidente Getúlio Vargas, em 1943.
A verdade é que a classe média não quer sair da zona de
conforto. De preferência, ela quer não somente uma funcionária que trabalhe as 44 horas semanais como estipulado por lei. Ela
quer uma funcionária que tenha vindo do Maranhão ou qualquer outro estado
miserável do Brasil para morar com a família. Se acha uma filantropa porque afinal
tirou essa pobre coitada dos cafundós dos Judas para morar com conforto. Isso, claro, sem pagar as horas extras, porque, afinal, a doméstica tem casa e comida “de
graça”.
A classe média é tão cega e autocentrada que não percebe que
a nova lei representa um avanço tão grande que pode ser considerada a segunda abolição
brasileira.