Logo

Banco Central, mais do mesmo

WhatsAppFacebookLinkedInX
04.01.2025 - 09:47:11
Galípolo assume a presidência do Banco Central e mantém o mesmo alinhamento equivocado de Campos Neto no combate à inflação. 
 
O alcance do centro da meta ficará cada vez mais distante de ser atingido, haja vista que estão dando o remédio errado para combater a doença, que nesse caso se chama inflação.
 
Nos meus escritos tenho dito que o país pós-pandemia da covid-19 experimenta uma inflação de custos, puxada a princípio pela valorização do dólar, falta de estoques pela paralisação da produção mundial e aumento na época do preço do barril de petróleo. 

No momento atual a inflação traz consigo os problemas da crise climática e da valorização excessiva do dólar frente ao real. 
 
Não precisa ser um grande economista para enxergar isso, no entanto os técnicos do Banco Central, de 2020 para cá, batem na mesma tecla e continuam endividando o país, o colocando no caminho da chamada dominância fiscal. 
 
O que estaria por detrás de tanta teimosia? Falta de conhecimento não é porque os economistas que assessoram o presidente da autoridade monetária formaram-se nas melhores universidades do país e de fora. 
 
A taxa de juros básica está em 12,25%, excessivamente alta para os padrões mundiais, e a pretensão é elevá-la para 14,25%. Esse fato não trará a inflação ao centro da meta e ainda aumentará a dívida pública interna em pelo menos 125 bilhões de reais.
 
No ano de 2024, pagou-se de juros dessa dívida 869 bilhões de reais e pelo andar da carruagem no ano de 2025, se pagará mais de 1 trilhão de reais com juros retirando a cada dia que passa a capacidade de investimentos em infraestrutura por parte do governo. 
 
Quando afirmo que não estão claras as intenções da autoridade monetária é porque aumento de juros básicos nesse momento só favorece um segmento da economia: o mercado financeiro no que tange a especulação. 
 
A jogada mal feita tem sido a seguinte: vamos aumentar os juros e, com isso, atrair dólares para o mercado. Em assim fazendo, o mesmo irá se depreciar em relação ao real e com isso puxaria os preços para baixo, já que a economia é dolarizada. Os custos dessa ação equivocada estão nos efeitos colaterais que são perversos para a capacidade de pagamento do governo.
 
E mais a cada dia o mercado financeiro cria um motivo para especular. A bola da vez agora é até que ponto o novo presidente conduzirá o Banco Central de forma independente? O fato de ter alcançado essa condição por lei não é suficiente para conter a especulação. 
 
Diante desse quadro o dólar continuará se valorizando e colocará o governo em xeque. Esse movimento já levou outros países ocidentais dos anos 70 para cá a se curvarem perante os interesses do mercado financeiro como o próprio Japão. Com o Brasil não será diferente.

*Júlio Paschoal é economista e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG)

 
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Júlio Paschoal

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Ricardo Menegatto
02.11.2026
Black Friday e os falsos descontos

A Black Friday se aproxima e, com ela, chegam as promessas de grandes descontos, ofertas por tempo limitado e oportunidades aparentemente imperdíveis. Em 2026, a principal data promocional do comércio será celebrada em 27 de novembro. Mas, em meio à expectativa de economizar, surgem situações que costumam gerar dúvidas e frustrações: a loja anuncia um […]

Edemundo Dias de Oliveira Filho
30.10.2026
A cegueira deliberada do oráculo

“A partir de certo ponto, as informações já não informam — deformam. Podem até obscurecer o mundo.” Byung-Chul Han Por que os diagnósticos — apenas ou embora certeiros — não ajudam a nação? Passadas as eleições, o Brasil não assistiu tão somente ao arrefecimento da beligerância. Assistiu, sobretudo, à sua consolidação como método de governabilidade. […]

André Naves
29.10.2026
Fim da escala 6 por 1: Prosperidade e Inclusão

A escala 6 por 1 – seis dias de trabalho para um de descanso – sempre cronometrou a semana de 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros sem se importar com o quanto de vida sobrava depois do expediente. Quase nada. José Mujica, o presidente uruguaio que se tornou símbolo mundial de humildade, simplicidade e humanidade, costumava […]

José Ricardo Caixeta Ramos
29.10.2026
Educação sanitária, um dos pilares da defesa agropecuária em Goiás

Nos últimos três anos, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) passou por uma transformação relevante em sua cultura organizacional. Tradicionalmente vista com receio pelo produtor rural, que associava a chegada de nossas equipes a possíveis multas e sanções, a Agência reinventou sua maneira de atuar. Hoje somos uma instituição parceira, que prioriza a orientação […]

Sabrina Garcez
29.10.2026
Outubro Rosa: prevenir o câncer de mama é cuidar da vida

O Outubro Rosa é uma campanha mundial de conscientização realizada anualmente, com o objetivo de informar e sensibilizar a população sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado do câncer de mama. No Brasil, algumas iniciativas também ampliam o debate para a prevenção do câncer do colo do útero. Mais do […]

Fábio Prudente
28.10.2026
O que os cavalos ensinam sobre liderança — e por que isso importa para a gestão 

Ao longo da história, o cavalo acompanhou o ser humano na guerra, no trabalho, na cultura e na terapia. Hoje, seu comportamento também inspira uma reflexão sobre gestão: ele responde menos ao discurso do que à postura de quem o conduz. O cavalo percebe o ambiente, capta sinais e reage ao estado emocional de quem […]

Ives Gandra da Silva Martins
28.10.2026
A eleição presidencial: três observações e uma sugestão

A primeira observação é a de que o Tribunal Superior Eleitoral passou a ser, efetivamente, uma casa de tertúlias acadêmicas. O TSE estabeleceu as regras da eleição, e essas regras foram alteradas, com o jogo em andamento, por um ministro da Suprema Corte vinculado ao candidato que acabou vencendo — que o indicou para o […]

Paulo Lima
27.10.2026
Cidades das regiões metropolitanas são os novos polos de desenvolvimento do Brasil

Durante décadas, o crescimento econômico e social do Brasil esteve concentrado nas grandes capitais. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outras metrópoles atraíram investimentos, infraestrutura e mão de obra qualificada. No entanto, o cenário atual mostra uma transformação silenciosa e poderosa. As cidades que estão localizadas em regiões metropolitanas estão se consolidando como […]