Logo
Jornalista Jales Naves (Foto: Reprodução)

Colégio Pedro Gomes e a expectativa de mudanças

WhatsAppFacebookLinkedInX
25.01.2026 - 16:59:09

Surgida como povoado em 1810 e emancipada em 1907, a cidade de Campinas, em Goiás, foi incorporada à nova Capital, Goiânia, em meados da década de 1930, e se tornou um de seus principais bairros, com intensa atividade socioeconômica e política. Bairristas, os moradores de Campinas sempre trataram o bairro com deferência, tinha uma vida comunitária de grande participação e um comércio expressivo.

Essa autonomia do bairro, no início da nova capital, foi lhe prejudicial, pois os gestores públicos não lhe deram a devida atenção, deixando de retribuir o que ofereceu à nova cidade e de investir na região.

A primeira grande obra foi iniciativa do então secretário de Educação e Saúde do Estado (1947-1950), médico Hélio Seixo de Brito, responsável por transformar, ampliar e renovar a instrução pública em Goiás. Em 1948, reestruturou o ensino, criando três colégios – um na cidade de Goiás, para compensar a retirada do Liceu da antiga Capital, outro em Goiânia e o terceiro no bairro que originou a Capital e era o mais populoso.

Seu primeiro nome foi Ginásio Estadual de Campinas.

Sua instalação, como registra o livro “Cidadão e homem público”, coletânea de artigos e depoimentos organizada pelo ex-vereador Hélio Seixo de Brito Júnior, foi uma festa “das mais gratificantes, pois era a nossa resposta aos apaixonados adversários políticos, que não desejavam o meu sucesso na importante Secretaria da Educação. Para eles – demagogicamente – Campinas não comportava um estabelecimento de ensino daquele porte. A resposta está aí no tamanho do Colégio ‘Pedro Gomes’ e no benefício enorme que vem fazendo. É a prova de que estávamos certos e, por isso, o meu silêncio às críticas desonestas e insinceras”, afirmou Hélio de Brito, no livro lançado em 1999, quando completou 90 anos.

No final dos anos 1950, ao expandir suas atividades acadêmicas,, teve a denominação alterada para Colégio Estadual Professor Pedro Gomes, a partir de quando assumiu protagonismo na área, passando a ocupar espaços.

De acordo com a professora Maria Conceição da Paixão (dona Zizi), que o dirigiu, foi o maior colégio público de seu tempo no Brasil, com mais de quatro mil alunos nos anos 1960, ofertando um ensino de qualidade, com professores preparados e proposta pedagógica que o diferenciava dos demais, que marcaram essa época.

O Colégio marcou gerações em Goiânia, aproximou seus alunos e ainda hoje muitos grupos se reúnem, para falar dos períodos em que ali estudaram, como era a convivência entre eles, as conquistas do período e sobre o que a escola representou em suas vidas.

Mais recentemente, por iniciativa do ex-deputado Wander Arantes, que estudou no colégio, foi criado o grupo no WhatsApp ‘Somos Pedro Gomes’.Formado por ex-alunos dos anos 1950 e 1960, bem sucedidos em suas opções profissionais, tinham em comum a preocupação com a situação do colégio, quando decidiram se organizar para resgatá-lo e lhe dar a devida dimensão. Conversaram, discutiram as muitas possibilidades, mantiveram contatos com autoridades da área educacional e do Governo do Estado, e lutaram, sem êxito.

Não perderam o entusiasmo e nem a disposição de continuar lutando por mudanças, pela recuperação do grande colégio público que tiveram, das boas lembranças e de um grande espaço público para o bairro de Campinas.

Agora, ficaram interessados em retomar essa discussão e os contatos, com a entrega, pelo Governo do Estado, do novo Liceu de Goiânia, que é de sua época. Todo reformado, com proposta acadêmica reformulada, novas atividades e novos equipamentos, vai se tornar novo ponto obrigatório de visitas da cidade, charmoso e bonito.

Campinas também merece esse presente.

O grupo ‘Somos Pedro Gomes’ quer dialogar e buscar idêntica solução.

Chegando aos 78 anos, a escola foi uma oportunidade para milhares de pessoas terem uma formação para o exercício da cidadania e como profissionais, ao mesmo tempo em que reafirmava suas responsabilidades perante a sociedade.

Hoje, quando muitos já completaram seu ciclo de atividades, como cidadãos e como profissionais, consideram que é o momento de resgatar esse papel do ‘Pedro Gomes’, preservá-lo, realçá-lo e reconhecer o trabalho daqueles que, cumprindo suas obrigações, concretizaram essa missão.

Jales Naves é jornalista e escritor, é membro da Associação Goiana de Imprensa e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás; estudou no Colégio Estadual Professor Pedro Gomes nos anos 1960.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Jales Naves

*Jornalista, formado pela UFG. Editor do jornal A Redação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Wil Caravanti
04.11.2026
Design de Imaginação

“Imaginação é mais importante que conhecimento.” Albert Einstein Antes de existir no mundo, muitas das grandes realizações humanas existiram primeiro na imaginação de alguém. Walt Disney imaginou na Flórida algo que ia muito além de um parque de diversões. Lúcio Costa e Oscar Niemeyer ajudaram a transformar em cidade uma ideia desenhada para o centro […]

Rose Cruvinel
03.11.2026
Ministério do Idoso é boa ideia, mas precisa ser eficiente

A criação de um Ministério do Idoso foi uma das primeiras propostas anunciadas pelo presidente Lula da Silva, depois de confirmada sua reeleição. A ideia merece ser recebida com seriedade e espírito público. Como médica, vereadora e integrante da população idosa, conheço de perto os desafios do envelhecimento e apoio qualquer iniciativa que coloque esse […]

Luiz Augusto Araujo
03.11.2026
Você sabe se comunicar bem?

Você consegue expressar suas ideias com clareza? Sabe organizar o que deseja dizer, transmitir mensagens de forma objetiva e convencer as pessoas? Embora a comunicação esteja presente em praticamente todas as situações do cotidiano, nem sempre temos consciência de como nos comunicamos e de quais aspectos podemos melhorar. Para ajudar a responder a essas perguntas, […]

ANA CARLA ABRAO
02.11.2026
O Brasil que desperdiçamos

Quanto custa ao Brasil continuar sendo tão desigual? Não apenas em termos de injustiça social, de pobreza ou de oportunidades negadas a milhões de brasileiros. Quanto nos custa em crescimento, produtividade, segurança e prosperidade? E, talvez mais importante, quanto perdemos com a manutenção de uma sociedade que desperdiça tanto do seu próprio potencial? Em uma […]

Ricardo Menegatto
02.11.2026
Black Friday e os falsos descontos

A Black Friday se aproxima e, com ela, chegam as promessas de grandes descontos, ofertas por tempo limitado e oportunidades aparentemente imperdíveis. Em 2026, a principal data promocional do comércio será celebrada em 27 de novembro. Mas, em meio à expectativa de economizar, surgem situações que costumam gerar dúvidas e frustrações: a loja anuncia um […]

Edemundo Dias de Oliveira Filho
30.10.2026
A cegueira deliberada do oráculo

“A partir de certo ponto, as informações já não informam — deformam. Podem até obscurecer o mundo.” Byung-Chul Han Por que os diagnósticos — apenas ou embora certeiros — não ajudam a nação? Passadas as eleições, o Brasil não assistiu tão somente ao arrefecimento da beligerância. Assistiu, sobretudo, à sua consolidação como método de governabilidade. […]

André Naves
29.10.2026
Fim da escala 6 por 1: Prosperidade e Inclusão

A escala 6 por 1 – seis dias de trabalho para um de descanso – sempre cronometrou a semana de 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros sem se importar com o quanto de vida sobrava depois do expediente. Quase nada. José Mujica, o presidente uruguaio que se tornou símbolo mundial de humildade, simplicidade e humanidade, costumava […]

José Ricardo Caixeta Ramos
29.10.2026
Educação sanitária, um dos pilares da defesa agropecuária em Goiás

Nos últimos três anos, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) passou por uma transformação relevante em sua cultura organizacional. Tradicionalmente vista com receio pelo produtor rural, que associava a chegada de nossas equipes a possíveis multas e sanções, a Agência reinventou sua maneira de atuar. Hoje somos uma instituição parceira, que prioriza a orientação […]