Goiânia – Zygmunt Bauman é um sociólogo polonês com vários livros escritos e sempre com ideias novas e lúcidas sobre a nossa sociedade. Seu frescor aos 86 anos é um alento em um mundo de ideias rasas e pensamentos curtos. Uma das suas afirmações mais instigantes versa sobre a Liberdade X Segurança. Ambos os valores são fundamentais para uma vida equilibrada e feliz.
A questão é que quanto mais temos um, mais precisamos abrir mão do outro. Eis o paradoxo da vida.
No auge da nossa juventude, por volta dos 20 anos o que mais nos move é a liberdade. Em geral, podemos ir para onde queremos, com quem queremos, com pouco ou nenhum dinheiro. Sem lenço nem documento, como cantava Caetano Veloso.
É a idade do posso tudo e nada me acontecerá. Festa, viagens, amores passageiros, alegria e, sobretudo, liberdade. E obviamente algumas angústias, normalmente ligadas ao desejo de vir – algum dia – a ter segurança.
E um dia essa segurança chega ou na forma de uma família, de um filho, de uma profissão ou da conquista de coisas que o dinheiro pode comprar. Ou tudo junto.
E a liberdade de ir e vir vai sendo tolhida, espontaneamente, sem nos darmos conta.
Já não é possível largar tudo e passar um ano meditando no Tibet. Ou estudar francês em Aix en Provence e viver como um francês, comprando baguete de manhã e falando Ulalá. Ou, pelo menos, não é possível fazer tais coisas sem abrir mão de outras.
Muito provavelmente a maioria não quer ir meditar no Tibet e nem sequer pensa em abrir mão da segurança – mesmo que momentaneamente – para ser mais livre. A zona de conforto e o status quo envolvem e anestesiam.
Sou uma admiradora dos corajosos. Que em prol da liberdade, do desconhecido e da experiência são capazes de abrir mão de um salário, de uma casa, de um carro ou de uma vida infeliz, mas segura, para correr atrás de sonhos e desejos.
Essas pessoas muitas vezes são tachadas pela sociedade de irresponsáveis e porraloucas, salvo quando escrevem um livro sobre suas aventuras e ganham rios de dinheiro.
Eu não acho que é preciso largar tudo e dar uma volta de barco pelo mundo para ser livre. Mas de vez em quando – pelo menos de vez em quando – sonhar e planejar uma vida com mais liberdade do que segurança pode ser um belo exercício para ver o quê, de fato, tem importância.