Goiânia – Apaixonar-se é se perder da gente mesmo. Não é a toa que dizem que a paixão cega. Uma cegueira que toma conta de cada poro, de cada pensamento. Faz tremer o corpo, tira a paz de espírito e, mesmo assim, a gente ama estar apaixonado.
Dizem que a verdadeira paixão tem prazo de validade: dois anos. Se fosse por mais tempo, talvez nem o corpo suportasse tamanho estado de excitação, euforia e sentimentos intensos. A gente cairia enfermo. Doentes de paixão.
Revi essa semana outro filme da década de 1980: Amor à primeira vista (Falling in Love, 1984) com os jovens, lindos e talentosos Meryl Streep e Robert De Niro. Ambos são casados e se conhecem por acaso no metrô de Nova York. Desse encontro inusitado, se apaixonam perdidamente. É uma paixão como são todas: intensa, insana, irracional. Com o agravante de envolver pessoas casadas. Ou seja, uma bomba que tem tudo para estourar no final com estilhaços para todos os lados.
Mas o lindo do filme é que não trata de traição. Trata da paixão que não pode ser evitada. Os personagens são pessoas legais, que gostam dos seus companheiros. Ninguém estava planejando trair ninguém, ser sacana ou desleal. E sentem culpa, remorso pois não conseguem evitar o sentimento quase pueril que cresce entre eles.
Em determinada altura do filme, o personagem de De Niro conta à mulher que conheceu uma pessoa. Ele diz que não está tendo um caso ou algo do tipo. E ela: “É pior, não é?”
Sim, muito pior. É paixão.
Numa certa altura da vida, a gente acha que nunca mais vai sentir essa paixão de novo. Ou porque está casada há muito tempo, porque acha que está velho, porque não tem ninguém interessante dando sopa. Mas a verdade é que a gente nunca sabe. E esse é o grande barato da vida. A paixão não tem nada de racional e sempre pega a gente desprevenido. Na ótima definição de Adriana Falcão no seu também ótimo Mania de Explicação: "Paixão é quando apesar da placa "perigo" o desejo vai e entra".
E a do pior tipo é a correspondida.