Logo

O deslumbre

WhatsAppFacebookLinkedInX
04.09.2012 - 12:39:48

Uma nova mania tomou conta do mundo. É a obsessão pelas grifes. Chanel, Hermès, Louboutin, Miu Miu e outras marcas símbolo de status, poder, luxo e grana. Acho que essa obsessão teve um empurrão enorme depois do seriado Sex and the City, aquele em que quatro amigas solteiras de Nova York só pensavam em comprar e arrumar um homem. Depois desse seriado, o mundo do consumo nunca mais foi o mesmo. Sorte das grandes grifes, azar o nosso com o reforço cada vez maior do pensamento é preciso ter para ser.

Basta abrir o Instagram para perceber o quanto ter um bolsa Chanel, por exemplo, é importante. Dificilmente abro o meu sem me deparar com deslumbradas de todas as idades colocando um close da sua bolsa com o símbolo famoso. Algumas autênticas, pagas em 10 prestações de R$ 1500. As genéricas com preços, segundo pesquisei, de até R$ 3 mil reais.

Não sei o que move uma mulher a fazer uma prestação de bolsa do tamanho de uma prestação de um carro popular. Ou comprar uma bolsa falsificada para aparentar ser o que não é. Uma matéria que li há algum tempo dá algumas pistas: uma mulher na faixa dos 40 anos, arquiteta, declarou em uma importante revista semanal que na sua posição era “preciso ter” uma bolsa de grife, pois todos no seu círculo social tinham. Era uma necessidade, pois dava status.

Acho no mínimo triste ver uma mulher bem sucedida, aparentemente inteligente, se comportar igual uma adolescente para pertencer a uma tribo. É supervalorizar o consumo em detrimento de si mesmo, dos seus talentos e competências. E ainda estampar sua foto em na revista de circulação nacional com uma justificativa fútil dessas. Vergonha alheia é pouco.

Eu, particularmente, não tenho a grana para comprar uma bolsa dessas, e muito menos vontade. Mas entendo quem tenha o dinheiro, goste e compre. O que não entra na minha cabeça é uma pessoa se endividar ou comprar uma cópia (que ela sabe que é falsa) para impressionar os outros. Até frivolidade tem limite.

Não sou contra quem gosta do que é belo, esteticamente agradável, de bom gosto e qualidade. Mas é de extremo mau gosto, cafona e provinciano esse comportamento que assola as redes sociais e o mundo real: o exibicionismo.

É preciso ter cuidado para não ser over quando o que se quer é parecer elegante. Outro dia fiquei sabendo de uma festa infantil onde havia mulheres vestidas como se fossem para um casamento, com vestidos longos e saltos agulha. Detalhe: o aniversário era em um jardim às 4h da tarde. Vestidas para correr atrás de crianças e enfiar o salto na grama nesse calor senegalês de Goiânia.

Não sem antes, claro, postar o look do dia no Instagram.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Bia Tahan

*Jornalista

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
lABORATÓRIO pÚBLICO - cIÊNCIA, pOLÍTICA E MEIO AMBIENTE
29.09.2026
Sem apocalipse ou redenção II

No último artigo por aqui, comentei das visões diametralmente opostas a respeito da inteligência artificial. De um lado, os otimistas tecnológicos acreditam que ela resolverá todos os nossos problemas; de outro, os tecnofóbicos já decretam para breve o fim da humanidade à medida que a IA rapidamente evoluir e sair de nosso controle. Argumentei que […]

Noite e Dia
28.09.2026
Armazém AZ apresenta mostra sobre Maria Abadia Haich em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Armazem AZ apresentou no último sábado (26/9), em Goiânia, a exposição Tessituras: Histórias de Bá, dedicada à trajetória de Maria Abadia Haich, co-fundadora da loja e personagem ligada à formação e à difusão do design brasileiro na cidade. Construída a partir do olhar de seus seis netos, com coordenação de […]

Curadoria Afetiva
27.09.2026
Códigos atemporais

Há uma contagiante efervescência cultural, como costumávamos caracterizar o circuito social na década de 80, que, curiosamente, vem se reprisando na capital goiana. Salões de arte, mostras de artistas renomados (estejam eles vivos ou mortos), apresentações públicas e privadas de espetáculos clássicos, caricatos e criativos. Aparentemente, um despertar coletivo que contamina, no bom sentido, todos […]

Joias do Centro
25.09.2026
Avenida Goiás: a linha que desenhou o coração de Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Há avenidas que levam a algum lugar. E há aquelas que, antes mesmo de serem abertas, já foram concebidas para dizer alguma coisa sobre a cidade. Em Goiânia, a Avenida Goiás pertence à segunda categoria. Desenhada no plano original da capital pelo arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, ela nasceu como […]

Noite e Dia
25.09.2026
Evento apresenta primeira mostra de Di Cavalcanti para convidados em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A Cerrado Galeria realizou nesta quinta-feira (24/9) a abertura exclusiva para convidados da apresentação do novo ciclo expositivo da galeria, que traz pela primeira vez à Goiânia obras do renomado artista Di Cavalcanti, além da primeira individual do goianiense Walter Pimentel. As mostras Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista, e Anímica e […]

Noite e Dia
21.09.2026
Jardim Potrich une Yoga, cerâmica e arte em programação especial; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Jardim Potrich abriu suas portas para uma programação que aproxima duas práticas aparentemente distintas — Yoga e cerâmica — a partir de um território comum: a presença. No dia 12 de setembro, o jardim recebeu “Beta & Bia no Jardim”, uma manhã dedicada ao movimento, à respiração e à consciência […]

CURADORIA AFETIVA
20.09.2026
Da Tranquilidade botânica

“No entanto, o sábio não pode desprezar os maus, porque, em todos os tempos, as condições morais quase sempre são as mesmas. Se o mal é uma necessidade da vida, da qual os homens não podem subtrair, não se deve odiá-los, mas aprender a respeitá-los.” (Da tranquilidade da alma, Sêneca) A palavra mal vem do […]

Joias do Centro
18.09.2026
Praça Cívica preserva a ideia de ágora onde Goiânia encontrou sua identidade

Carolina Pessoni Goiânia – Antes de Goiânia existir como cidade, ela já existia como desenho. E, nesse desenho, havia um ponto destinado a concentrar o poder, organizar os caminhos e criar um lugar de encontro. Era a Praça Cívica, concebida pelo urbanista Attilio Corrêa Lima como o centro administrativo da nova capital. A ideia, segundo o […]