Uma nova mania tomou conta do mundo. É a obsessão pelas grifes. Chanel, Hermès, Louboutin, Miu Miu e outras marcas símbolo de status, poder, luxo e grana. Acho que essa obsessão teve um empurrão enorme depois do seriado Sex and the City, aquele em que quatro amigas solteiras de Nova York só pensavam em comprar e arrumar um homem. Depois desse seriado, o mundo do consumo nunca mais foi o mesmo. Sorte das grandes grifes, azar o nosso com o reforço cada vez maior do pensamento é preciso ter para ser.
Basta abrir o Instagram para perceber o quanto ter um bolsa Chanel, por exemplo, é importante. Dificilmente abro o meu sem me deparar com deslumbradas de todas as idades colocando um close da sua bolsa com o símbolo famoso. Algumas autênticas, pagas em 10 prestações de R$ 1500. As genéricas com preços, segundo pesquisei, de até R$ 3 mil reais.
Não sei o que move uma mulher a fazer uma prestação de bolsa do tamanho de uma prestação de um carro popular. Ou comprar uma bolsa falsificada para aparentar ser o que não é. Uma matéria que li há algum tempo dá algumas pistas: uma mulher na faixa dos 40 anos, arquiteta, declarou em uma importante revista semanal que na sua posição era “preciso ter” uma bolsa de grife, pois todos no seu círculo social tinham. Era uma necessidade, pois dava status.
Acho no mínimo triste ver uma mulher bem sucedida, aparentemente inteligente, se comportar igual uma adolescente para pertencer a uma tribo. É supervalorizar o consumo em detrimento de si mesmo, dos seus talentos e competências. E ainda estampar sua foto em na revista de circulação nacional com uma justificativa fútil dessas. Vergonha alheia é pouco.
Eu, particularmente, não tenho a grana para comprar uma bolsa dessas, e muito menos vontade. Mas entendo quem tenha o dinheiro, goste e compre. O que não entra na minha cabeça é uma pessoa se endividar ou comprar uma cópia (que ela sabe que é falsa) para impressionar os outros. Até frivolidade tem limite.
Não sou contra quem gosta do que é belo, esteticamente agradável, de bom gosto e qualidade. Mas é de extremo mau gosto, cafona e provinciano esse comportamento que assola as redes sociais e o mundo real: o exibicionismo.
É preciso ter cuidado para não ser over quando o que se quer é parecer elegante. Outro dia fiquei sabendo de uma festa infantil onde havia mulheres vestidas como se fossem para um casamento, com vestidos longos e saltos agulha. Detalhe: o aniversário era em um jardim às 4h da tarde. Vestidas para correr atrás de crianças e enfiar o salto na grama nesse calor senegalês de Goiânia.
Não sem antes, claro, postar o look do dia no Instagram.