Augusto Diniz
Goiânia – "Este homem que veio para se justificar, voltará [a Aparecida de Goiânia] muito menor do que chegou." Críticas como a feita pela vereadora Aava Santiago (PSDB) à presença do presidente da Câmara de Aparecida de Goiânia, André Fortaleza (MDB), no plenário do Legislativo da capital marcaram a sessão ordiária realizada na manhã desta quinta-feira (24/2) na Casa. Os trabalhos só foram encerrados às 11h17.
André Luís Carlos da Silva, o André Fortaleza, foi convidado por meio de requerimento pelo vereador Santana Gomes (PRTB) para visitar o plenário e discursar na tribuna durante a sessão da Câmara de Goiânia. Presidente do Legislativo na vizinha Aparecida de Goiânia, ele foi acusado de tentar silenciar a atuação parlamentar da vereadora Camila Rosa (PSD) ao cortar o microfone e impedir a fala da pessedista no plenário aparecidense no dia 2 de fevereiro. Camila Rosa foi recebida em sessão plenária na Câmara de Goiânia logo depois do ocorrido.
A vereadora de Aparecida chegou a chorar no momento em que foi impedida de falar e teve seu microfone cortado pelo presidente do Legislativo da cidade, André Fortaleza. Em nota, o emedebista se defendeu e afirmou que não teve a intenção de ofender Camila ou atingi-la pessoalmente.
Só que o assunto não morreu naquela sessão: hoje, 22 dias depois, Fortaleza foi ao Legislativo goianiense e discursou por 15 minutos. Autor do convite para discursar na Câmara de Goiânia, Santana Gomes reclamou que o presidente do Legislativo de Aparecida teria sido "deselegante" com o vereador do PRTB por não avisá-lo sobre a data da ida ao plenário do Poder na capital. "Fiquei muito magoado com a deselegância. Pessoa deselegante comigo anda curto."
Vereador @maurorubempt também comenta discurso de André Fortaleza: "Sua vinda aqui foi um desastre"
— Câmara Mun. de Goiânia (@CamaraGoiania) February 24, 2022
Minimizou críticas
Ao discursar na tribuna, Fortaleza disse que esteve "envolvido em um fato corriqueiro", mas que, "infelizmente", tudo no Brasil se torna "uma repercussão negativa" de grandes proporções. "Fiquei acamado uma semana", afirmou o presidente da Câmara de Aparecida.
Em seguida, o emedebista declarou que não existe machismo na Câmara de Aparecida. "Meu microfone foi cortado cinco vezes na legislatura passada, mas não teve repercussão." Para Fortaleza, a culpa das acusações que sofreu vieram de "um vídeo editado" para fazer barulho. "Circo, showzinho, enquanto eu for presidente, não vai existir", disse Fortaleza na ocasião.
O presidente da Câmara de Aparecida não parou por aí. Disparou, em seguida, que a repercussão nas redes sociais deu voz "a muito idiota, reuniu os idiotas do Brasil". "Sabe qual é a minha bandeira? É o povo. […] Temos que parar com essa hipocrisia, esse ilusionismo, esse oportunismo", afirmou Fortaleza ao dizer que não diferencia homem de mulher no trato.
E repetiu que a atitude da vereadora Camila Rosa teria sido "um show". "Tinha políticas obscuras naquele sessão", pontuou o presidente do Legislativo aparecidense.
Vereadora @LKlebia encerra a sessão, informando que a Câmara de Goiânia terá uma Comissão Permanente da Mulher, visando corrigir a desigualdade de gênero e combater a violência.
— Câmara Mun. de Goiânia (@CamaraGoiania) February 24, 2022
Resposta
"O senhor usou o espaço da Câmara de Goiânia para proferir um dos discursos mais absurdos que nós já ouvimos nesse parlamento", respondeu a Fortaleza a vereadora Aava Santiago. E reforçou que o microfone do convidado não foi cortado durante o discurso porque no Legislativo de Goiânia existe "cordialidade" e "em respeito ao vereador Santana Gomes, que não sabia o que senhor passaria essa vergonha".
A parlamentar do PSDB fez questão de lembrar que o discurso de Fortaleza, com definição de "showzinho" e "circo" de Camila Rosa pelo ocorrido na Câmara de Aparecida, foi proferido no dia em que o Brasil comemora 90 anos do primeiro voto feminino em uma eleição. "O senhor sair da Câmara do seu município, que deve ter mais coisa para fazer, e insultar as mulheres de Goiânia. Volte para a sua Casa, no parmanento goianiense o senhor não vai fazer isso", disparou Aava.
"Tenho certeza de que esse momento servirá como uma aula política para os homens", diz @ver_juarezlopes
— Câmara Mun. de Goiânia (@CamaraGoiania) February 24, 2022
Mais manifestações
Outros vereadores disseram nutrir respeito por Fortaleza, mas que essa seja uma oportunidade para aprender com o erro, ou que essa era uma atitude equivocada entre outras acertadas na carreira política do presidente da Câmara de Aparecida. Pedro Azulão Júnior (PSB) afirmou que a gatinha que vive nas dependências do Legislativo goianiense se ofende menos quando mexem com ela do que determinadas vereadoras.
Vereador @VerSgtNovandir: "Tenho certeza de que o senhor não está contra as mulheres"
— Câmara Mun. de Goiânia (@CamaraGoiania) February 24, 2022
Ao final da sessão, o vereador Marlon Teixeira (Cidadania) disse que o presidente da Câmara da cidade vizinha não quis ouvir as críticas das mulheres quanto à postura de André Fortaleza ao silenciar a vereadora Camila Rosa no início do mês.
"Fica o conselho para refletir as suas ações e entender o poder que ele tem na mão. E o quanto as ações dele podem refletir na sociedade. Quando ele vem nessa tribuna e se justifica que, como presidente, ele pode calar a voz de uma vereadora, fica escancarado o quanto o poder é mal usado e quanto isso pode refletir negativamente na sociedade. É por isso que é importante se falar sobre as cotas, os direitos e respeito às mulheres", disse Marlon.
"Saio daqui tranquilo. Me desculpa se desagradei alguém", conclui André Fortaleza.
— Câmara Mun. de Goiânia (@CamaraGoiania) February 24, 2022
Repúdio
O parlamentar do Cidadania fez questão de registrar seu repúdio à atitude de André Fortaleza. Marlon afirmou que se surpreendeu com a "prepotência" do presidente da Câmara de Aparecida "por não pedir desculpa por suas ações".
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