Goiânia
– O microfone cortado da vereadora Camila Rosa (PSD) durante sessão plenária de quarta-feira (2/2) na Câmara de Aparecida de Goiânia pelo presidente da Casa, André Fortaleza (MDB), ganhou repercussão nacional na noite de sexta-feira (4/2). A Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados publicou uma nota de repúdio contra a "violência sofrida" pela parlamentar aparecidense.Assista:
Vereadora que teve microfone cortado em Aparecida recebe apoio no Congresso https://t.co/iEauOMEqRj pic.twitter.com/48gNNXZPky
— Jornal A Redação (@aredacao) February 5, 2022
A nota de repúdio diz que a vereadora Camila Rosa, "única vereadora da Câmara de Aparecida de Goiânia, teve o microfone e seu direito à fala cortado a pedido do presidente da Casa, André Fortaleza (MDB), durante discussão sobre a participação feminina na política no último dia 2 de fevereiro". O texto da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados lembra que a parlamentar de Aparecida de Goiânia "chegou a chorar em plenário e registrou queixa em uma delegacia local".
Em nota, ainda na quarta-feira, o presidente da Câmara de Aparecida se manifestou. André Fortaleza negou que tenha agido para ofender a vereadora durante a discussão no plenário da Casa. "Esclareço que em nenhum momento procurei atingir pessoalmente a vereadora Camila Rosa, mas reforcei com veemência que sempre defendi a classe das mulheres, apoiando todos os projetos voltados ao tema", escreveu Fortaleza.
Leia a nota de repúdio da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados:
"A Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, formada pela Coordenadoria dos Direitos da Mulher e pela Procuradoria da Mulher, como órgãos políticos e institucionais que atuam em benefício e defesa da população feminina brasileira, vem a público registrar esta NOTA DE REPUDIO por violência política sofrida pela vereadora Camila Rosa (PSD), única vereadora da Câmara de Aparecida de Goiânia que, conforme divulgado pela imprensa, teve o microfone e seu direito à fala cortado a pedido do presidente da Casa, André Fortaleza (MDB), durante discussão sobre a participação feminina na política no último dia 2 de fevereiro. A deputada chegou a chorar em Plenário e registrou queixa em uma delegacia local.Conforme vídeos divulgados na imprensa e por plataformas e redes sociais, o presidente da Câmara citou publicação feita pela vereadora nas redes sociais, nas quais ela defende mais mulheres e minorias na política.Uma seguidora dela comentou a publicação e seguidores da parlamentaram acusam a Câmara de Aparecida de Goiânia de ser machista. Fortaleza negou preconceito e chegou a afirmar: “Não sou contra a classe feminina, sou contra cota, oportunismo, ilusionismo. Pode ser mulher, homem ou homossexual. “Quero deixar bem claro para a senhora e sua amiga, eu não sou machista, eu sou contra fake news”.Rosa respondeu, então, que não afirmou que o vereador era contra cotas de gênero. “Não disse que o senhor era contra cota. Se o senhor entendeu isso, a carapuça pode ter servido. O senhor sempre fala de caráter, de transparência, parece que o senhor tem algum problema com isso”.Fortaleza, então, a interrompeu. A vereadora pediu respeito enquanto estava falando e, em seguida, o presidente da Casa pediu que o microfone dela fosse cortado. “Eu sou presidente, é a senhora que vai me respeitar. Corta o microfone dessa vereadora para mim, agora. Quer fazer circo, aqui você não vai fazer não”, disse. E prosseguiu declarando: “Vá à delegacia e registra um B.O. Fique à vontade se a senhora achar que estou cometendo um delito”, declarou.Chorando, a vereadora disse: “É isso que fazem com as mulheres na política. É por isso que temos que procurar nossos direitos. Agora o senhor querer me desmoralizar, por um motivo que a gente sabe qual é […] Não venha o senhor querer me desmoralizar aqui. Não vou aceitar isso”.Desta forma, a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados manifesta sua solidariedade para com a vereadora de Aparecida de Goiânia, como tem feito em todas as situações de violência enfrentadas por mulheres e parlamentares do País. Também repudia o descumprimento do Art. 3º da Lei nº 14.192/2021 que “considera violência política contra a mulher toda ação, conduta ou omissão com a finalidade de impedir, obstaculizar ou restringir os direitos políticos da mulher”.A Secretaria da Mulher reforça sua posição em defesa dos avanços alcançados por meio de políticas públicas de proteção para as mulheres e reafirma que continuará não poupando esforços para combater quaisquer ações de violência, seja por palavras ou ações, de crimes de ódio e torpeza que busquem ofuscar os recentes anos de conquistas sociais alcançados pelas mulheres.Brasília, 4 de fevereiro de 2022.Secretaria da Mulher – Câmara dos Deputados".
Leia abaixo a nota do vereador André Fortaleza na íntegra:
"Sobre o debate ocorrido durante sessão ordinária desta quarta-feira, 02, esclareço que em nenhum momento procurei atingir pessoalmente a vereadora Camila Rosa, mas reforcei com veemência que sempre defendi a classe das mulheres, apoiando todos os projetos voltados ao tema. Sempre fui a favor da luta delas e que demonstrei com atitudes e não apenas com discurso. Antes do meu mandato, a Câmara não tinha nenhuma mulher em cargos de chefia e hoje possui quatro.Pela primeira vez na história da Câmara, por escolha minha na presidência, a Mesa Diretora tem em sua composição duas mulheres (vereadoras Valéria Pettersen e Camila Rosa). Criei um instituto que é todo composto por mulheres. Eu apenas afirmei que sou contra cotas, que os direitos e deveres tem que ser iguais, e não que seja contra alguma classe específica, porém tive minha fala distorcida, baseada num sensacionalismo, pois para mim, a mulher deve ser tratada com respeito e igualdade, e não por privilégio de gênero".