Théo Mariano
Goiânia – Goiás completa neste dia 18 de janeiro um ano desde a primeira aplicação de uma vacina contra a covid-19, a CoronaVac. O Estado deu início aos trabalhos de imunização um dia após a aprovação, à época, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial da vacina desenvolvida. Entre os dias 17 e 19 de janeiro do ano passado, todos os Estados brasileiros aplicaram as respectivas primeiras doses contra o novo coronavírus, que está presente no Brasil desde pelo menos fevereiro de 2020 e matou, até agora, mais de 620 mil brasileiros.
Entre desafios e avanços, o Brasil agora chega a uma nova etapa da imunização contra a covid-19: a vacinação de crianças de 5 a 11 anos. Na última semana, o Ministério da Saúde recebeu cerca de 1,2 milhão de doses da Pfizer, única fabricante cuja vacina foi autorizada para aplicação na faixa etária citada. Em Goiás, pelo menos 726 mil crianças estão aptas para receber as doses do imunizante. A vacinação é feita por ordem decrescente no território goiano, conforme reforça o secretário de Estado da Saúde, Ismael Alexandrino: "Facilita muito a logística e fica muito claro para a população qual o critério utilizado", diz. Goiânia é uma das 10 capitais brasileiras que iniciaram a imunização pediátrica nesta segunda-feira (17/1).

Secretário de Estado da Saúde de Goiás, Ismael Alexandrino. (Foto: Divulgação)
Em um ano de vacinação, o Brasil viu, sobretudo, um excesso nos choques de ideias e decisões tomadas pelo Ministério de Saúde e pelas secretarias de Saúde dos Estados. A mais recente foi relacionada à determinação sugerida pelo ministro Marcelo Queiroga para que a vacinação de crianças só fosse permitida com prescrição médica – mesmo com a aprovação da Anvisa sobre o imunizante, com a garantia de sua segurança. A medida foi rechaçada com vigor pelos membros do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass), inclusive com concordância de Ismael Alexandrino, que em entrevista ao AR revelou a decisão de não adotar prescrição médica para vacinação de crianças em Goiás.
O desacordo entre os planejamentos traçados pelo Ministério da Saúde criaram atritos inclusive nas estratégias adotadas por estados e municípios. O Supremo Tribunal Federal (STF) deu aos entes federativos e às prefeituras a autonomia, limitados a não reduzir qualquer medida estabelecida por instâncias superiores do Poder Executivo, para decidir sobre quais estratégias adotar no combate à pandemia. A decisão criou um ambiente polêmico, no qual o presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou que não teria mais a possibilidade de assumir o comando do País em meio à pandemia – o que não é correto. As medidas adotadas no âmbito do governo federal serviam sempre como uma espécie de limite mínimo para balizar qualquer atitude de prefeituras e governos estaduais.

Levantamento mostra ranking dos Estados na vacinação da população com 1ª dose; Goiás é o 15º. (Foto: Arte/A Redação)
Os resultados que são colhidos da vacinação se traduzem em dados. Como disse o próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a grande maioria dos internados devido à covid-19, hoje em dia, são aquelas pessoas que se recusaram a receber qualquer imunizante. Segundo dados desta segunda (17), divulgados pelo consórcio da imprensa, que monitora os números relacionados ao combate à covid-19 no Brasil junto às secretarias estaduais de saúde, os brasileiros já receberam pouco mais de 308 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 – entre primeiras e segundas aplicações ou dose única.
Goiás aplicou, conforme o boletim epidemiológico mais recente, divulgado pela SES-GO neste domingo (16/1), cerca de 9,8 milhões de doses para imunizar a população local contra a covid-19. Agora, com a vacinação de crianças e a necessidade constante de distribuição das vacinas aos municípios, o Estado vive um novo desafio: a entrega àquelas cidades atingidas pelas fortes chuvas registradas entre o final do ano passado e o início deste ano, mais especificamente nas regiões Norte e Nordeste do Estado. Em entrevista ao AR, o secretário Ismael Alexandrino disse que, para concluir as operações até o momento, a pasta estadual conta com o apoio dos bombeiros e, em algumas ocasiões, leva os imunizantes até mesmo por vias aéreas.

Maria Conceição, primeira pessoa vacinada no Estado de Goiás, recebe a sua dose inicial pelas mãos do governador Ronaldo Caiado. (Foto: Reprodução/TV Brasil Central)
A necessidade de se continuar com a vacinação é notada nas palavras de Maria Conceição, de 74 anos, a primeira pessoa vacinada contra a covid-19 no Estado de Goiás – ato simbólico ocorrido no dia 18 de janeiro do último ano. Moradora de um abrigo para idosos em Anápolis, a senhora relatou em entrevista ao jornal A Redação um pouco de sua saudade de poder sair com mais tranquilidade às ruas do município e fez um pedido: "Todos precisam se vacinar. A vacinação é o que vai garantir a nossa saúde e segurança. Para mim, é um orgulho ter sido a primeira pessoa a receber a vacina, já recebi três doses e peço a todos que também tomem as suas vacinas."