Logo

Momento exige precaução e racionalidade

WhatsAppFacebookLinkedInX
07.12.2021 - 14:00:00

A recente descoberta da nova variante ômicron do coronavírus, considerada preocupante pela Organização Mundial de Saúde (OMS), reacendeu um alerta para o setor produtivo brasileiro: será que vai começar tudo de novo?
 
Tudo indica que não! Os países em geral, incluindo o Brasil, ao contrário do que ocorreu na primeira onda, adotaram medidas rápidas e, com grande parte da população vacinada, tudo leva a crer que não impactará de forma tão agressiva o ambiente econômico, como vivemos, sobretudo, no ano passado.
 
Economistas têm avaliado que o grau de desconhecimento acerca da nova cepa ainda é alto, mas é razoável pensar em um cenário no qual a variante não deve afetar materialmente a atividade econômica nem inviabilizar o processo de imunização.
 
Caso isso se confirme e a ômicron não modifique o cenário econômico fundamentalmente, entendemos que a tendência é uma normalização mais veloz da política monetária nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Quanto ao Brasil, o cenário traçado é o de uma Selic em torno de 12%, mas com uma inflação ainda acima do teto da meta em 2022 — em 6%.
 
Mas como será para o setor de turismo e alimentação fora do lar, um dos mais afetados pela pandemia? Até semana passada, contávamos com cidades, como Foz do Iguaçu, no Paraná, com 100% de sua capacidade para a virada do ano, atingida em setembro deste ano – um resultado fantástico, se considerado todo o repertório do nosso segmento nos últimos 24 meses.
 
Defendemos a realização das comemorações de Réveillon e de Carnaval, obviamente exigindo dos turistas de fora os comprovantes de vacinação, bem como o teste PCR, com 72 horas de antecedência, a exemplo de outros países.
 
Todos sabemos que a retomada do setor vem sendo impulsionada pelo turismo doméstico. Um exemplo é a média diária de voos domésticos que, em novembro, alcançou 78,2% da oferta de voos antes da pandemia, em março de 2020. Já no mercado internacional, a média diária de partidas é de 32,8% da oferta pré-pandemia, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
 
A expectativa é de que, até o fim deste ano, tenhamos cerca de 85% da malha aérea doméstica e a retomada integral, se nada fugir muito do previsto, deverá ocorrer durante o primeiro trimestre de 2022. 
 
Com a permanência desse cenário, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta que as atividades turísticas faturem R$ 171,9 bilhões ao longo da próxima alta temporada, com base na receita de empresas nacionais. Isso contribuiria para elevar o nível de rendimento ao patamar registrado imediatamente antes do início da pandemia já a partir de maio de 2022.
 
Caso a tendência permaneça, a expectativa, segundo revela estudo da CNC, é de que o segmento contrate 478,1 mil trabalhadores formais entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, entre eles 81,7 mil voltados especificamente para atender à demanda da alta temporada, com vagas temporárias.
 
O que prioritariamente parece ser importante neste momento é a racionalidade. Claro que a prudência, por parte dos governantes e órgãos sanitários, se faz necessária, mas com cautela e buscando, ao contrário do que vivemos no ano passado, ouvir os players diretamente envolvidos com o assunto. Afinal, juntos, temos mais chances de encontrar um caminho menos traumático e mais aceitável para todos. 

*Alexandre Sampaio é presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA).  

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Alexandre Sampaio

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]