Logo

Flexibilização trouxe prejuízo para o trabalhador

WhatsAppFacebookLinkedInX
21.09.2021 - 17:24:03

As Medidas Provisórias (MP) lançadas pelo governo federal em 2020 e relançadas em 2021 que permitiram a suspensão ou a redução da jornada de trabalho, com redução proporcional do salário, criaram uma série de consequências no que diz respeito ao pagamento do INSS, FGTS e também das férias e 13° salário. A iniciativa do governo federal visou evitar demissões em massa no cenário da crise causada pelo caos sanitário, tentando dar sobrevida às empresas, mas que deixou lá suas marcas aos empregados e segurados do INSS.
 
As MPs previram a possibilidade de suspensão ou redução da jornada de trabalho, com redução de salários, de maneira unilateral durante o período de excepcionalidade e calamidade pública causadas pela pandemia do Coronavírus. A ideia foi manter os empregos e evitar as demissões em massa, reduzindo custos para as empresas e, por outro lado, o governo compensou a perda de remuneração dos trabalhadores por meio do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm). O BEm, que chegou a ser destinado a 9,8 milhões de trabalhadores no Brasil, cobriu os salários dos contratos suspensos até o limite do seguro-desemprego (R$ 1911,84) e, no caso das reduções de jornada e salário, o benefício foi pago proporcionalmente à redução do salário, respeitando o limite do seguro-desemprego também.
 
Acontece que, em uma situação normal, junto com o pagamento do salário, a empregador está obrigado ao pagamento de INSS, FGTS, férias e 13° salário, situação que não se manteve com as medidas provisórias. Assim, nos casos de suspensão de contrato o empregador ficou desobrigado a recolher, durante o período da suspensão, tanto o INSS quanto o FGTS, e isso repercutiu inclusive nas férias, já que o tempo em que o trabalhador ficou em casa não entra na contagem de tempo de serviço para o direito a aquisição das férias. O mesmo ocorreu com a contagem do 13°, já que os meses não trabalhados não entraram na contagem para o pagamento dessa obrigação empregatícia.
 
No caso da redução da jornada com a redução salarial, INSS e FGTS deveriam ser pagos proporcionalmente ao salário pago efetivamente pelo empregador naqueles meses de redução. Ou seja, o cálculo para o depósito corresponde ao valor pago ao trabalhador nesse período excepcional. Já no caso do 13° salário, a redução da jornada e dos salários não afetou em nada o seu pagamento, já que o contrato permaneceu ativo, levando em consideração os meses nos quais houve trabalho em pelo menos 15 dias. Com as férias as MPs também não alteraram a aquisição do direito, já que o contrato permaneceu ativo, mas flexibilizou as regras de concessão e pagamento neste período de redução de jornada e salários.
 
Cabe dizer que a desobrigação do empregador em pagar INSS e FGTS gerou um prejuízo para empregado, que para manter sua contribuição deveria ele mesmo recolher o valor total, no caso da suspensão do contrato, ou o valor complementar, no caso da redução salarial, durante os meses da situação excepcional. No caso em que o trabalhador não realizou essa contribuição, pode correr mesmo o risco de perder a qualidade de segurado do INSS, o que é um grande prejuízo para o trabalhador.
 
*Jairo Neto é advogado especialista em Direito Previdenciário
 
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Jairo Neto

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]