Revisitar o passado é uma delícia. Agora no Facebook tem alguns grupos que se juntaram para postar fotos antigas. As pessoas adoram, fazem comentários, relembram momentos, dão risadas dos looks, reencontram pessoas da juventude. Um barato.
Ter uma história em comum com um grupo, com uma geração nos aproxima. São as músicas, os lugares que frequentávamos, quem namorava quem, as festas.
Até mesmo as rixas se diluem com o tempo. De repente a gente não gostava de alguém ou disputava o mesmo cara com fulana, mas já nem se lembra o motivo. Só se recorda da farra, das risadas, das viagens, das roupas cafonas, dos penteados estranhos.
O baú do passado é bem generoso. Você pode ter sofrido horrores por uma pessoa, chorado meses a fio, achado que ia morrer, mas a lembrança ameniza tudo. Provavelmente se lembrará muito mais do tempo que foram felizes juntos, das viagens que fizeram, das músicas que cantaram, da paixão que sentiram.
A nossa memória também é seletiva, pois seria muito complicado e até doloroso reviver tudo tintim por tintim. Muitas vezes é preciso esquecer para seguir em frente e abrir espaço para novas lembranças.
Por fim, o passado pode ser a única coisa em comum que nos une a alguém. E ter vivido histórias não é suficiente para manter uma relação. É aquela situação: você reencontra uma pessoa da juventude, faz a maior festa e cinco minutos depois o papo simplesmente acaba e o silêncio constrangedor toma conta do ambiente. Bem chato.
Algumas pessoas pertencem ao nosso passado. E precisam ser deixadas lá. Outras nos acompanham ao longo da vida e à medida que vamos envelhecendo viram testemunhas da nossa história. Podemos até ficar anos a fio sem ver, mas o reencontro será cheio de amor, histórias, risadas, e principalmente, do aqui e agora.