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Dedo podre tem cura

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17.04.2012 - 11:59:04

Tenho uma amiga que sempre, sempre, escolheu homens errados para a vida dela. A sua lista de amores teve de tudo: mau caráter, psicopata, ciumento doentio, egoísta extremo, detonador de autoestima.

A cada novo namorado, novo drama. As amigas já iam preparando os ouvidos para escutar as choradeiras, o sofrimento, a novela de Janete Clair sem final feliz. A verdade é que minha amiga sempre teve o dedo podre.

Podia estar em uma festa cheia de gente legal, bonita, interessante que o seu dedinho podre logo apontava para o único ser humano que não prestava no recinto. E ela caia de amores justamente pelo traste. Literalmente caia.

Porque depois do mar de rosas dos primeiros meses, a verdadeira faceta do cara vinha à tona. Mas ai a paixão já tinha tomado conta de todos os seus sentidos. Já não via ou ouvia nada nem ninguém, apenas o objeto de amor. E da sua boca, só saiam palavras sobre o fulano. Só falava dele e sobre ele.

Em suma: era sempre a mesma ladainha e lá estávamos nós, as amigas, morrendo de medo da história se repetir mais uma vez e já sabendo que estava se repetindo. O dedinho podre da nossa amiga seguia apontando para os caras e caminhos errados.

Acho que o dedinho podre não era uma sina. Era uma escolha. Uma espécie de auto-sabotagem, como se, no fundo, ela não merecesse ter ao seu lado uma pessoa resolvida, simples, alto astral, afetuosa. Como se no fundo, ela não merecesse o amor.

Mas um belo dia, depois de muita barca furada, choro, sofrimento e decepção, a amiga em questão começou a tratar daquele dedinho podre e, principalmente, da sua autoestima. Passou a cuidar de si, entrou de cara nos seus projetos de vida, investiu na sua carreira, nos seus amigos. Passou a ter uma vida para chamar de sua, ao invés de pegar carona na vida daquele que julgava ser sempre o homem da sua vida.

Não é de se espantar que o dedo podre sarou. Ficou novo em folha. E minha amiga também. Agora grávida do segundo filho, ao lado do homem que sempre mereceu. Um cara bom, amigo, amoroso, companheiro. Porque não é verdade que uns têm sorte para o amor e outros não. Somos donos do nosso destino. E no nosso dedo, quem manda somos nós.

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por Bia Tahan

*Jornalista

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