Lucas Cássio
Goiânia – Considerados, um dia, como um dos principais cartões postais de Goiânia, a Praça do Trabalhador e a antiga Estação Ferroviária sofrem hoje com o abandono e o esquecimento. A Estação, um dos principais monumentos Art Déco da capital, abriga moradores de rua e usuários de drogas. Ela está com a estrutura danificada, portas e vidros quebrados, além das pichações que distorcem sua beleza. Um cenário de descaso. A situação foi constatada pelo jornal A Redação, que visitou o local esta semana.
O cartão de visitas para quem chega à Rodoviária de Goiânia passa longe de dar orgulho aos goianienses. Para quem precisa andar a pé pela praça, a sensação é de medo. “Não dá para passar por aqui sozinha. Já presenciei ‘trombadinhas’ fazendo assaltos aqui. É triste ver um espaço tão grande como este e saber que não é utilizado de forma positiva”, disse a vendedora Jania Moraes, em entrevista ao AR.
A vendedora precisa atravessar a praça todos os dias para chegar ao trabalho. “Desço do ônibus na Avenida Independência e preciso passar por aqui. A sensação é que, a cada dia, a praça está mais feia. Não vejo ninguém cuidando dela. O que a gente percebe é que ela está sendo tomada por marginais”, disse.
A praça fica ao lado da Câmara Municipal de Vereadores e é a porta de entrada para o Centro da cidade. No local também está a locomotiva número 11, mais conhecida como Maria Fumaça. Assim como todo o restante da praça, a locomotiva também sofre com o passar do tempo e com o descaso por parte do poder público. Ferrugens e mato disputam a cena com a Maria Fumaça.
(Foto: Lucas Cássio / A Redação)
Em 2016, ainda no Governo Dilma, o Ministério da Cultura (MinC) autorizou a restauração da Estação Ferroviária de Goiânia e a revitalização da Praça do Trabalhador. Seriam investidos aproximadamente R$ 7 milhões, disponibilizados pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), por meio do programa PAC Cidades Históricas. A promessa nunca saiu do papel.
Em outubro deste ano, a prefeitura de Goiânia ganhou do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Goiânia (Codese) o projeto de expansão da Avenida Leste Oeste, que também comtempla revitalização da Praça do Trabalhador. Na ocasião, o prefeito Iris Rezende assinou uma carta de intenções para execução das obras, orçadas em R$ 70 milhões.
A Prefeitura de Goiânia informou que o início das obras será feito após a liberação dos recursos do programa do “Goiás na Frente”, do governo estadual. “A Prefeitura de Goiânia informa que foi contemplada pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Goiânia (Codese) com o projeto de revitalização da Praça do Trabalhador, bem como do Avenida Leste Oeste. Para início das obras, a administração municipal aguarda o repasse do programa Goiás na Frente, do governo estadual”, diz a nota enviada ao
AR.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Governo informou que a Prefeitura de Goiânia ainda não apresentou o projeto, nem as certidões necessárias para liberação do recurso.
Sobre a situação de abandono da antiga Estação Ferroviária, e a possível ocupação do espaço para serviços e ações municipais, a prefeitura não se posicionou.