A separação é a perda de uma ilusão. De fato, o rompimento de uma relação afetiva, especialmente um casamento com filhos, é comparável a um luto, já que a família como era conhecida precisa ser reformulada e nunca mais será como antes.
Mas o que fazer com a dor, as mágoas e o ressentimento quando de um lado estão os pais e no meio os filhos? Infelizmente não há como mandar tudo para os ares, já que no meio da relação existe a prole. Não dá pra simplesmente dizer adeus e nunca mais manter contato.
Por mais rancor que o fim da relação possa ter deixado, quando há crianças envolvidas o bom senso precisa prevalecer. Falar mal do (a) ex para os filhos, não é apenas cruel com o cônjuge, mas, sobretudo, com as crianças. Lembre-se: o ex nunca será ex-pai ou ex-mãe.
Ninguém disse que seria fácil. Na verdade, é duríssimo. Mas essas duas pessoas, que um dia formaram um casal que se apaixonou, casou e teve filhos, precisam aprender que não deixaram de ser pais depois da separação. E isso exige responsabilidade e coragem para fazer o certo.
Não é preciso ser o melhor amigo do ex, embora conheça exemplos de casais que se separaram e consigam um nível de relacionamento tão ou mais saudável do que nos melhores dias da relação.
Mas dá para reinventar a convivência com o ex, manter um relacionamento cordial, aparar as arestas e, sobretudo, nunca, jamais, em tempo algum, transferir seus ódios e rancores para os filhos. Sim, é proibido falar mal do pai ou mãe para seu filho. Proibido.
Sempre haverá conflitos. Seja pela guarda, pela pensão, pela educação. Se no casamento há bastante discórdia e opiniões desencontradas, provavelmente o mesmo acontecerá depois do fim. Discordar não é ruim, fazer uma guerra sim.
Então em nome dessa nova família, que mais hora menos hora ganhará novos atores, com a entrada de namorados de um lado ou de ambos, e talvez até mesmo novas crianças, será preciso reinventar essa relação que deixou de ser a de marido e mulher.
Talvez valha recorrer à memória: com certeza seu ex ou sua ex tem qualidades que um dia os uniram. Apegue-se a essas lembranças a fim de resgatar um relacionamento cordial. Não faça dos filhos um objeto de troca e chantagem. Conheço crianças que têm muito mais inteligência emocional e maturidade do que seus pais, adultos feitos. Não vamos inverter esses papéis.
Da mesma maneira que não podemos sustentar um casamento falido por causa dos filhos, temos a obrigação de pensar neles e buscar um bom relacionamento com quem um dia amamos, sonhamos e decidimos ter filhos. A relação pode ter acabado, mas a família – ainda que em outros moldes – precisa continuar.