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Como lidar com os alunos “nativos digitais” da geração Y?

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19.09.2017 - 18:41:05
Não faz tanto tempo assim que nós, meros mortais “imigrantes digitais”, éramos obrigados a ir até uma biblioteca para pesquisar sobre algum assunto – tanto escolar quanto do cotidiano. Porém, com o avanço da tecnologia, uma nova geração surgiu: a dos “nativos digitais”, termo criado pelo desenvolvedor de games e estudioso do assunto Marc Prensky. Para ele, os integrantes da Geração Y parecem ter dons tecnológicos inatos.
 
Para os nativos digitais tudo é online e a tecnologia é algo natural para eles, o que dificulta a percepção do que está fora deste mundinho. A comunicação é muito rápida, fazendo surgir o que um estudioso chamou de “modernidade líquida”, onde uma mesma informação pode ser encontrada em diversas representações. O jovem da geração Y consegue gerenciar essas informações ao mesmo tempo em que escuta música e conversa com alguma outra pessoa de forma online.
 
E os adultos que estão fora dessa linguagem, como podem lidar com essa modernidade? Para os pais dessa geração, acostumados a reuniões presenciais em família, adequar-se a este novo estilo não é nada fácil. Assim como para os professores que lidam com esses jovens em sala de aula. 
 
Segundo a mestra e especialista em Educação Carolina Defilippe, o professor que está inserido em uma sala de aula no estilo do século 19, com a formação do século 20 e alunos do século 21, necessita de uma capacitação continuada, com foco específico em tecnologia. Mas, principalmente, precisa de coragem para mudar a sua didática, onde se faz necessária à inclusão da Educomunicação em sala, fazendo o aluno ler o conteúdo, formular uma visão crítica e criar algo. 
 
O desafio é usar a tecnologia a nosso favor, valorizando os insights de cada aluno e mostrando a ele que, mesmo em meio a linguagem líquida, o ato de ler, pesquisar e filtrar as informações se faz necessário. Devemos valorizar as inteligências múltiplas dessa geração. Como já citado, o aluno nativo digital consegue interagir de diversas formas e executar inúmeras atividades ao mesmo tempo. Mas se este aluno não for direcionado pedagogicamente e tecnologicamente, ele provavelmente se perderá no caminho da aprendizagem, desviando-se do foco proposto pelo professor. Esse é o papel que o educador deve exercer em sala de aula, propondo que toda essa habilidade seja usada em primeiro lugar a favor do próprio aluno, mas também a nosso favor. 
 
Dicas para se colocar isso em prática:
 
Deve-se estimular as produções coletivas para trabalhar em sala de aula, com o uso de vídeos e áudios nos quais o aluno possa ter atuação efetiva na pré-produção, produção e na pós-produção do arquivo. 
 
Caso sua escola não tenha acesso à internet, pode-se usar o laboratório de informática da escola, com a utilização de programas de edição de texto e imagens para criar vídeos com contextos diversos, além de trabalhar gêneros textuais, fazendo o aluno sentir-se parte da criação do conteúdo.
 
Uma tendência dessa geração é a interação com blogs, wikis e redes sociais. Então, trazendo isso para a realidade pedagógica/tecnológica, o acesso à internet facilitará a criação de blogs e grupos fechados nas redes sociais, nos quais o professor pode estimular a participação efetiva dos alunos com postagens, enquetes e debates em torno do conteúdo abordado. E se você não tem acesso à internet, por que não criar um diário de bordo? Também com o editor de texto podemos estimular o aluno à prática do registro coletivo ou individual, a autodescrição, o compartilhamento de preferências, a imersão emocional e finalizando com a apresentação do conteúdo registrado.
 
Exposição de trabalhos escolares é algo estimulante não somente para alunos e professores, mas também, para a comunidade. Atividades em grupo, tanto síncronas ou assíncronas, nas quais todos possam colaborar, participar e até mesmo competir de vez em quando, estimulam a criatividade, segurança e autonomia desses alunos.
 
Outra opção é formar grupos para simular jogos, nos quais os personagens sejam os próprios alunos. Cada um deverá assumir um papel neste jogo, como mestre, vilão, herói e assim por diante. O professor pode criar mapas com instruções de localização, envolvendo a disciplina de matemática, colocando pistas e, por que não, trabalhar o conceito de programação com eles.
 
Vídeos gravados pelo próprio professor e câmeras digitais para efetuar os registros podem ser uma maneira de introduzir a tecnologia no contexto educacional. Para trabalhar a disciplina de Língua Portuguesa, por exemplo, o professor pode solicitar o script do jogo em produção coletiva, no software de edição de texto.
 
É possível também abordar os conceitos de multimídia, crossmídia e transmídia. No primeiro, nós podemos trabalhar dois textos idênticos, mas em formatos diferentes, como impresso e digital. No crossmídia, a informação em questão pode ser disseminada em diversas formas, porém elas devem se conectar. Por exemplo, trabalhar o conteúdo do livro didático e depois propor a criação de uma tirinha no computador como mesmo conteúdo. Já no transmídia, a relação de aprendizado é ainda mais dinâmica, pois sempre serão disponibilizadas partes do conteúdo em setores diferentes, ou seja, o aluno pode receber uma informação, como uma instrução do conteúdo que o professor trabalhará naquele dia, mas só poderá seguir o próximo passo, se acessar o conteúdo seguinte.
 
O mais importante durante a introdução dessas práticas é o professor ter uma escuta ativa, assim ele conseguirá traçar um objetivo assertivo para seus alunos.
 
*Maria Paula da Silva é coordenadora pedagógica de projetos na Planneta (www.vitaebrasil.com.br). Atua com Educação Infantil e Ensino Fundamental I na rede municipal de Osasco, oferecendo o uso da Tecnologia Digital da Informação e Comunicação como um recurso didático/ pedagógico no contexto educacional.
 
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por Maria Paula Da Silva

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