Em qualquer roda de mulheres, o tema homem ou a falta dele sempre entra na pauta principal. “Em Goiânia não tem homem”, proclamam em alto e bom som para que até a mesa do lado – repleta de machos – possa ouvir. Se a cidade em questão fosse Natal, a frase seria a mesma. Tenho amigas que moram no Rio de Janeiro, em Sampa e em cidades fora do Brasil e seguem tão solteiras quanto as goianas que conheço.
Afinal, está faltando homem no mercado?
Homens estão por toda parte, de todos modelos e para todos os gostos. Mas então, por que as mulheres reclamam tanto da dificuldade de encontrar um cara legal, alguém para namorar, viajar, ir ao cinema, dormir de conchinha?
Talvez a resposta esteja nelas mesmas. Afinal, a mulher quer um namorado ou um super herói? Será que expectativa não está dificultando esse encontro? Porque conheço um monte de mulher que não fica sem namorado e a fila anda constantemente. Garanto que não são mais bonitas, inteligentes ou melhores que as solteiras em questão. Mas algo as difere sim, estão mais disponíveis e abertas. Esse discurso de não existir homem legal, pra mim é meio balela. O que existe sim, é mulher que ou escolhe demais ou se fecha para o relacionamentos, mesmo inconscientemente.
No fundo, acho que as moças em questão não querem encontrar uma companhia, mas um cara perfeito. Que tenha grana, seja bonito, goste de bons filmes e boa música, seja simpático e social, não tenha filhos, seja um profissional conceituado e uma pessoa bem resolvida. Garanto que até esse cara incrível descrito acima tem seus problemas, seus defeitos e dificuldades. Afinal, como bem diz o ditado: de perto, ninguém é normal.
A idealização pode ser uma armadilha para quem está solteiro e gostaria de ter alguém. Porque a idealização acaba sendo um álibi para não encontrar um parceiro. A culpa não está em mim, mas no outro. Eu sou ótima, o problema é a falta de homem. Com esse discurso é muito mais fácil terceirizar a questão e olhar menos para dentro de si.
Depois da idealização, o jeito mais fácil de não encontrar um parceiro é o medo da rejeição. A pessoa prefere nem viver aquela história para não ter perigo de se ferir. Muitas mulheres calejadas preferem essa estratégia e o resultado é na maioria das vezes a solidão, a carência e o sentimento de não pertencimento, em um mundo que se diz moderno, mas no fundo é bem careta.
Porque sim, embora estejamos em 2012, ainda existe um conceito velado de que mulher solteira é aquela que não foi escolhida.
Acho que está na hora dessa mulherada interessante, bonita, inteligente, engraçada e bem sucedida perder o medo de amar. Abrir a guarda, olhar ao redor, deixar os preconceitos de lado e se jogar na vida. Quem sabe, no meio da estrada, esteja alguém disposto a pegar na sua mão para seguirem a caminhada juntos. Se não for pra frente, paciência. Outro virá.
É como aquela história do emprego. O mellhor jeito de encontrar um trabalho, é ter um. Acho que a máxima também vale pro setor amoroso.