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A necessária mudança…

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01.05.2017 - 15:55:44

 
Goiânia – As denúncias do MPF, da PF nas diferentes fases da Operação Lava Jato e, agora, as delações premiadas escancararam as putrefatas relações dos poderes públicos brasileiros com setores empresariais. Governantes, parlamentares, partidos políticos e políticos nos últimos Governos da República mantiveram estreitas negociações com grandes empresários que envolviam possíveis obras e realizações governamentais em troca de financiamentos de caixas de campanhas. O montante dos recursos negociados e transferidos ultrapassa de alguns trilhões de reais.
 
O país assiste estupefato a sem cerimônia com que delatores relatam as negociações e como os políticos de diferentes partidos, de esquerda, de centro e de direita, conservadores e progressistas, ‘vendiam-se’ à espúria de interesses mafiosos de setores empresariais. A generalização das denúncias pode ter um viés injusto, contudo as investigações e denúncias indicam a falência da política como um todo. Mostra uma elite política corrompida e que tem se mantido no parlamento e nos governos através de descarado assalto ao patrimônio público nacional.
 
Vivemos em um país desigual, em crise e com crescente índice de desemprego. País com sofrível qualidade educacional, com a saúde em situação falimentar, com péssimo atendimento, com endemias e epidemias surpreendendo e matando pessoas; com saneamento básico deficiente, comprometendo mais ainda a qualidade de vida do brasileiro; com um país assustado pela violência desmedida e sem controle; insegurança que se alastra e intimida, por isso mesmo tem servido de plataforma política para eleger um sem número de parlamentares… Pobre país!
 
Tem-se visto a justificativa, equivocada, de que essa roubalheira tem por base a formação do povo brasileiro – do português degradado, do índio indolente, do negro preguiçoso. Tal afirmação não condiz com a trajetória de luta do povo, na Colônia, no Império, na República. A Nação brasileira foi se compondo de diversas etnias, tornando-se multicultural e diversa. Ao longo dos séculos foi se constituindo quase ao largo do Estado, este dominado por uma elite que dele tem se servido e aproveitado, privatizando recursos públicos de diferentes formas, na ocupação de cargos e postos em governos. Não foi essa elite que construiu o Brasil, ela tem se servido do esforço do povo que trabalha, ela tem uma visão extrativista.
 
Embora o cenário da política brasileira se apresente depressivo, com ministros, senadores, deputados federais, governadores acusados de corrupção e toda essa quantidade de dinheiro desviado de obras e apropriado, a impunidade parece que tem seus dias contados. As prisões de empresários e de políticos destacados não aconteciam. Eles sempre foram privilegiados, e continuam sendo, mas a condição apresenta-se diferente.
 
A mobilização contra a corrupção e roubalheira deve continuar. Nas redes sociais, na movimentação de rua e de diferentes formas o brasileiro deve se manifestar. Cobrar da justiça ação e determinação. Apoiar as ações que punam de fato aos culpados e que não se postergue os processos nos infindáveis caminhos dos tribunais. Pressão sobre o Congresso Nacional para que não aprovem leis que bloqueiem as apurações e resguardem os corruptos políticos e empresários.
 
Além disso, uma mobilização cívica para mudar a política torna-se necessária e urgente. Não repudiando a política, mas procurando recuperar essa importante atividade, tornando-a de fato pública. Daí votar-se em candidatos que apresentem propostas e projetos nacionais, para a reconstrução de um país viável, mas que foi mutilado pela improbidade administrativa. Tendo-se o cuidado do apelo populista.
 
O Brasil já foi vítima do populismo – a história mostra os estragos produzidos pelos populistas de direita e de esquerda. O Golpe de 1964 foi muito resultado de política e políticos populistas. Daí militarismo – caminho historicamente trilhado pela América Latina – não se apresenta como solução, tem qualificado uma ’casta’ que domina, explora e arruína mais ainda o país. A saída está na mudança nas condições possíveis da democracia.
 
Itami Campos é cientista político.
 

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por Itami Campos

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