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Autismo e Análise do Comportamento Aplicada (ABA)

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30.03.2017 - 17:51:19

Goiânia – Muitas vezes, o autismo reveste-se de uma concepção de “infelicidade” por aqueles que o desconhecem e acabam escorando-se em tabus e preconceitos, em desfavor dos indivíduos com autismo e suas famílias.
 
Comprometimentos variáveis e crônicos em interação social, comunicação verbal e não verbal, interesses restritos e inflexibilidade (atividades ritualizadas e repetitivas) compõe o quadro do que se define como Transtorno do Espectro Autista (TEA).
 
O autismo está classificado dentro dos Transtornos do Neurodesenvolvimento. O grau de gravidade varia desde pessoas que apresentam quadro leve e com total independência e discretas dificuldades de adaptação até aquelas que serão dependentes para atividades diárias ao longo da vida. Estima-se que a prevalência para o TEA é de 1:68 indivíduos.
 
Os sintomas que despertam para a investigação de TEA são: ausência de contato visual, movimentos repetitivos e estereotipados, déficits de linguagem (verbal e não-verbal) e comunicação, ausência de reação ao ser chamado pelo nome, brincadeiras disfuncionais (brincar sem propósito), dentre outros. É essencial a avaliação médica especializada para o diagnóstico precoce, uma vez que o mesmo é iminentemente clínico, e a antecipação das intervenções melhora o prognóstico. 
 
Em seguida, pais, responsáveis e familiares experienciam as situações de lidar com o diagnóstico e de busca pelo tratamento, que geralmente envolve uma equipe multiprofissional (médico, psicólogo comportamental, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicopedagogo) – a depender das necessidades de cada paciente.
 
Nesse ínterim, a ABA (Applied Behavior Analysis) utiliza-se de métodos com fundamentos científicos para construir repertórios socialmente relevantes e reduzir repertórios problemáticos. A ABA (em português, Análise do Comportamento Aplicada) é a forma de tratamento que possui mais investigações científicas e relatos de sucesso dentre as terapias que lidam com indivíduos diagnosticados com autismo. São construídos pré-requisitos de atenção e habilidades básicas de aprendizagem para que as crianças sejam capazes de aprender sem ajuda e estarem preparadas para desenvolver conhecimentos complexos.
 
A Análise do Comportamento Aplicada ficou muito relacionada ao tratamento com autismo, principalmente, devido aos resultados de um estudo publicado nos EUA em 1987 pelo psicólogo Dr. O. Ivar Louvaas.
 
Nesse estudo, 19 crianças entre 4 e 5 anos, diagnosticadas com autismo, foram submetidas a 40 horas de atendimento semanais – intervenção precoce intensiva. Depois de dois anos, o Quociente de Inteligência (QI) dessas crianças havia aumentado 20 pontos em média, e elas foram completamente reintegradas na escola regular. Crianças que não foram submetidas à terapia ABA não apresentaram melhoras. 
 
A Análise do Comportamento Aplicada segue alguns princípios básicos para o ensino do indivíduo com desenvolvimento atípico como: ensino de unidades mínimas passíveis de registro; ou seja, “quebra” habilidades maiores em menores (esse ensino de habilidades começa do simples para o mais complexo). É de extrema importância a consistência entre as pessoas que têm contato com o indivíduo que está aprendendo, pois a equipe de profissionais, a escola e a família precisam estar alinhados em relação aos procedimentos adotados, do entendimento da função do comportamento emitido, entre outros. 
 
O ensino é individualizado, pois leva-se em consideração o repertório de cada criança. A partir da avaliação inicial é estabelecido um currículo com metas e objetivos de curto e longo prazo. Todo o planejamento da intervenção é realizado contemplando: estrutura de ensino – que poderá ser mais estruturado ou mais voltado para ensino no próprio cotidiano do indivíduo -, intensidade (como horas semanais), terapeutas, necessidades familiares e escolares, etc. É importante destacar que a avaliação é constante, pois norteia todo o trabalho do analista do comportamento. Para isso, os registros de todos os procedimentos são rigorosamente analisados para que haja o adequado controle do que foi realizado e de seus resultados.
 
Outro ponto valioso na terapia ABA é que o aprender precisa ser sempre muito prazeroso (reforçador); as respostas esperadas (corretas) são sempre comemoradas (reforçadas positivamente); já os comportamentos problemáticos como (agressões, autolesões, respostas estereotipadas) não são reforçados, o que exige treino, habilidade e conhecimentos específicos por parte do profissional.
 
A Análise do Comportamento Aplicada apresenta mais de 50 anos de pesquisa científica contínua com resultados mensuráveis e efetivos. Infelizmente existem ainda várias informações errôneas devido à falta de conhecimento, o que leva a preconceito e discriminação, além da carência de profissionais especializados. O envolvimento dos pais, da família, da escola, da equipe multiprofissional (médico, psicólogo comportamental, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicopedagogo) são fundamentais durante todo o processo. O tratamento, utilizando a Análise do Comportamento Aplicada, deve ser contínuo e possibilita resultados consistentes, sendo considerado, no momento, o mais efetivo. 
 
*Raquel Borges Magalhães é psicóloga, especialista em Psicologia escolar e educacional, especialista em Neuropsicologia, pós-graduada em ABA (Análise do Comportamento Aplicada) e mestranda em Psicologia (Análise Experimental do Comportamento) pela PUC-GO.
 
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por Raquel Borges Magalhães

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