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Bonitos no céu, mas perigosos para a audição

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29.12.2016 - 17:45:02
A virada de ano já está batendo à nossa porta, trazendo de volta um costume comum na hora da virada: a queima de fogos de artifício. Apesar da explosão de luzes e beleza no céu, os artefatos podem trazer sérios danos à saúde auditiva, além de riscos de acidentes e queimaduras durante o manuseio.
 
Tradição milenar para celebrar datas especiais, que veio da China há mais de 2000 anos, a queima de fogos produz um barulho intenso; e aí é que está o perigo. Os vilões são os foguetes e rojões. Eles podem acarretar um trauma acústico ou a perda de audição uni ou bilateral, que pode ser temporária ou, nos casos mais graves, irreversível. O prejuízo auditivo acontece a quem manipula ou está próximo ao local de detonação porque o forte estampido, principalmente dos rojões, é repentino. O potente som, que pode chegar a uma intensidade de 140 decibéis, percorre todo o ouvido de forma rápida, atingindo as células ciliadas e os nervos internos da orelha, que são os receptores sensoriais do sistema auditivo. Para se ter uma ideia do quão forte é esse barulho, um avião durante a decolagem produz um som de 130 decibéis.
 
Quando há sequelas, a perda de audição é geralmente unilateral (em um único ouvido) e se inicia com o aparecimento imediato de zumbido, problema que afeta cerca de 28 milhões de pessoas em todo o mundo. Mas podem surgir também tontura, pressão nos ouvidos e dificuldades para ouvir logo após o estampido. Essa sensação tende a passar naturalmente no decorrer de horas ou dias, mas se os sintomas persistirem é preciso consultar um médico otorrinolaringologista para avaliar se o dano auditivo é temporário ou definitivo, irreversível. Se tiver havido trauma acústico as consequências são graves.
 
E como se proteger? A melhor forma de prevenção é manter-se distante do local de queima dos fogos e, no caso de festas muito barulhentas, usar protetores auriculares. Eles reduzem o barulho que entra pelos ouvidos mas permitem que as pessoas escutem os sons ao redor.
 
O fato é que nas comemorações de fim de ano, barulho é o que não falta. Além dos fogos, há muita música, gritos, aparelhos de som e TVs em alto volume. Nas ruas, buzinas e carros de som. Nas casas e restaurantes, muita algazarra. Tudo isso para celebrar a chegada de mais um ano, com muita alegria. A festa é contagiante, mas barulhenta! E quem mais sofre são os ouvidos.
 
É preciso lembrar que a frequência constante a ambientes barulhentos pode contribuir para uma gradual perda auditiva. Todo ruído acima de 85 decibéis é prejudicial à audição. E a perda auditiva é cumulativa. Dependendo da frequência, do tempo de exposição ao som elevado e da predisposição, o indivíduo pode sofrer danos auditivos cada vez mais severos, de forma contínua e elevada, ao longo da vida.
 
Por tudo isso, não custa lembrar. Divirta-se, mas tomando certos cuidados, para que você possa ouvir os sons da vida por muitos e muitos anos ainda.
 

* Isabela Carvalho é fonoaudióloga da Telex Soluções Auditivas, especialista em audiologia.

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por Isabela Carvalho

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