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Legado da Paralimpíada

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13.09.2016 - 15:40:37

Bastaram um planejamento de longo prazo, iniciado em 2009, e um aumento nos investimentos, de R$ 168 milhões a R$ 375 milhões, para que a delegação de 287 atletas iniciasse ontem a disputa pelo pódio alimentando o sonho de terminar a Paralimpíada do Rio em quinto lugar, entre os 176 países participantes. E, o que é melhor, com a confiança dos brasileiros de que tem tudo para chegar lá. Afinal, de 1972, em Heidelberg, a 2012, em Londres, houve o apreciável salto do 32º para o 7º lugar no ranking paraolímpico. No intervalo, o Brasil colecionou resultados significativos, atingindo a liderança do Parapan de Toronto (mais ouro que os Estados Unidos e Canadá) e boas marcas no Parapan de Guadalajara.
 
O histórico de superação dos paratletas não é diferente daquele de seus colegas que acabaram de disputar os Jogos do Rio. Ambas as delegações enfrentam os mesmos problemas de falta de apoio, de verba e de infraestrutura para treinamento, entre outros obstáculos. Com um adicional: “A gente é coitado ou super-herói. Somos tão humanos quanto qualquer pessoa, podemos errar ou acertar. Infelizmente esse estereótipo é uma pressão.” A declaração – dada em entrevista pela velocista Terezinha Guilhermina, deficiente visual que em três jogos olímpicos conquistou seis medalhas (três ouros, uma prata e dois bronzes) – é válida também para a árdua competição que as pessoas com deficiência enfrentam na busca pela inclusão no mercado de trabalho.
 
Alinhado a essa causa desde 1999, com um programa específico de estágio e aprendizagem, o CIEE é testemunha da teia de preconceito e incompreensão que esse segmento enfrenta para conquistar o pleno exercício dos direitos da cidadania. Mas o CIEE também é testemunha, até por experiência própria, dos bons dividendos que a inclusão de deficientes traz para o ambiente organizacional, a começar por surpreendentes produtividade e capacidade e adaptação. Nossa expectativa é que os Jogos Paralímpicos do Rio deixem como legado, além da merecida coleção de medalhas, uma nova visão – mais justa e mais humana – sobre a inclusão das pessoas com deficiência. 
 
*Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE
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por Luiz Gonzaga Bertelli

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