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Mortes no trânsito: triste realidade brasileira que tem solução

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09.09.2016 - 15:17:56

Durante as olimpíadas, atletas e turistas estrangeiros tinham duas preocupações maiores com relação à segurança no Brasil: o zika vírus e o alto índice de criminalidade no Rio de Janeiro. Do zika vírus eles procuraram se proteger usando repelentes. Para escapar da bandidagem, evitaram visitar locais pouco recomendados.
 
Infelizmente nosso País é conhecido no exterior pelo alto índice de criminalidade, e não sem razão. Segundo o Ministério da Saúde, apenas em 2014 o número de homicídios registrados no Brasil foi de 59.627 ocorrências. Nesse mesmo ano, a Organização Mundial da Saúde classificou o País com o maior número de homicídios em todo o mundo.
 
O que poucos sabem é que no mesmo período quase a mesma quantidade de pessoas morreram, vítimas de acidentes de trânsito. Quem de nós não conhece ou sabe de alguém que faleceu ou ficou gravemente ferido por esse motivo? Nessa estatística perdemos apenas para Índia (142 mil) e China (58mil), ficando em terceiro lugar no ranking mundial com 50 mil vítimas fatais por ano.
 
Na madrugada do dia 12 de agosto, no Rio de Janeiro, um táxi modelo Cobalt 2012 levava dois atletas da equipe alemã de canoagem à Vila Olímpica e colidiu com outro veículo na Avenida das Américas, uma via larga de várias pistas, plana e reta. Bateu em uma barreira de concreto logo depois.
 
No acidente, Stefan Henze, técnico e medalhista olímpico perdeu sua vida. Foi mais uma vítima da nossa cruel realidade. Ele que provavelmente deve ter tomado precauções contra o mosquito da zika e também evitado locais de alta criminalidade, não imaginava que isso poderia ocorrer.
 
Talvez porque em seu país o número de vítimas fatais em acidentes de trânsito seja algo em torno 3.400 por ano, apesar de o mercado de carros novos na Alemanha ser maior do que o nosso. Ou até porque os táxis naquele país tenham em média dois anos de uso e diversos equipamentos de segurança.
 
Será que precisamos continuar convivendo com esta triste realidade? Será que vamos continuar nos conformando com a perda de 167 brasileiros por dia e permanecendo de olhos fechados?
 
Podemos mudar as nossas estatísticas com ações de melhoria da infraestrutura viária, educação no trânsito, inspeção veicular efetiva, pesquisa e investigação de acidentes para o direcionamento adequado dos recursos financeiros destinados à redução de ocorrências, e controle dos abusos no trânsito, entre outras.
 
Reduzir a incidência de mortes no trânsito brasileiro por meio da informação colhida no local do acidente é o objetivo do projeto Investigação Avançada de Acidentes de Trânsito (IAAT), que será apresentado pela primeira vez no 25º Congresso e Mostra Internacionais SAE BRASIL de Tecnologia da Mobilidade (25 a 27 de outubro, Expo Center Norte-SP) no Painel Segurança Veicular, que será realizado no dia 25 de outubro, 13h30, no Auditório SAE BRASIL.
 
Criado pela Comissão Técnica de Segurança Veicular da SAE BRASIL e com projeto piloto desenvolvido em cooperação com a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), o projeto IAAT se baseia em metodologias internacionais de pesquisa, investigação e coleta de dados no local do acidente logo após a ocorrência.  
 
Desde março o piloto está em operação em Campinas (SP), onde já foram coletados dados de 54 acidentes na região urbana central da cidade. Destes, 56% tiveram o envolvimento de motocicletas. Como os motociclistas se encontram em uma posição muito mais vulnerável a ferimentos no caso de acidente, faz-se necessária a priorização junto a eles de ações relativas à direção defensiva e uso de equipamentos de segurança para proteção da vida.
 
Vamos  fazer a nossa parte. Se cada um de nós mantiver o veículo em plenas condições de circulação, dirigir com civilidade e respeito às leis e aos outros, contribuiremos para um trânsito melhor.
 

*Oliver Schulze é diretor do Painel de Segurança Veicular do Congresso SAE BRASIL 2016          

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por Oliver Schulze

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