“Dançar escreve / um traço leve / o verbo de Deus bê-á-bá”, e qual-lá se desembaraçam linhas, “paixões e ais”, “para pisar / golpes de ar”.
Assaz-assim, Tom Zé abre os versos de sua canção “Dançar” dizendo dos corpos em dança, em diálogo-dança, deslizando embalados, alinhavados por um-quase “delírio sonâmbulo”, na toada de uma experiência também feita de expressão verbal. Que cria sintaxes, dramaturgias; incorpora gestos e refaz cotidianos; improvisa sequências corporais; serpeia por mundos remotos, familiares, estranhos; faz vibrarem os músculos, os nervos, o movimento… e desenha consciências, encen(ações), deslimites — a exemplo das palavras, num texto.
É que, como escrever, também dançar é fazer estremecer o mundo. Significa lançar perguntas indiretas para que cada um de nós — com a nossa história, linguagem, com a nossa liberdade — saia em busca de respostas, ou gerúndios para os verbos, e ainda mais perguntas, a perder de vista.
Com um projeto de esticar horizontes, a Mostra de Dança Contemporânea Paralelo 16º vem deixando, desde 2005, suas linhas imaginárias… em redemoinhos de imagin(ação)-com-a-gente. Naquele absoluto sentido fora do mundo — sentido que “tanto traz à cena como (se) esconde da cena” —, a mostra se iniciou em Goiás, foi aqui-e-ali borbotando ampli(fic)ações, até ocupar teatros e espaços culturais na capital federal, congregando fazedores de arte e germinando “deslumbramentos, questionamentos, aquelas inimagináveis sensações causadas pelos espetáculos de corpos”, como o próprio coletivo gosta de dizer-que.
E dizer de dança assim-tal expressa essa-qual “vontade de ser dança, de fazer dança, de ver dança”. É, como se pressente, coisa de mais-oferendar: a mostra já é ponto de encontro, contemplação e articulação para bailarinos, coreógrafos, pesquisadores, artistas, comunicadores, gente como a gente, que aprecia e a quem apetece — ou venha a apetecer — o espetáculo-dança, a chance de se repimpar nos sentidos do corpo e da memória corporal dos bailarinos, em arte de sonhar e amar e construir poesias no ar…
De volta a terras goianas desde 2013, o Paralelo 16º pode ser experimentado de pertinho, em sua 8ª edição, bem-aqui na capital, a partir de 3 de maio (até o dia 8 ).
Com o apoio do Governo de Goiás, através do Fundo de Arte e Cultura, dessa vez a mostra contará com espetáculos (de grupos da casa e de Minas, São Paulo, Rio e Ceará) e, ainda, com palestras, oficinas, mesas-redondas — prosas abertas ao público! — que acontecerão em espaços não só estratégicos e de fácil acesso, mas cuja frequentação dão mesmo gosto-além na gente: Teatro Goiânia, Espaço Culturama, Espaço Quasar e Vila Cultural Cora Coralina.
Quando: de 3 a 8 de maio de 2016
Onde: Teatro Goiânia, Espaço Culturama, Espaço Quasar e Vila Cultural
Quanto: R$12,00 (a inteira) e R$6,00 (a meia) para os espetáculos / de graça: palestras, aulas, oficinas, mesas-redondas