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Sistemas táticos e o que realmente importa

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18.04.2016 - 10:26:45
 
Goiânia – Um tema bastante discutido entre as pessoas envolvidas com futebol, principalmente no Brasil, é a utilização de diferentes sistemas táticos (e não façamos confusão com os esquemas, ligados à organização e dinâmica de uma equipe), o famoso 1-4-2-3-1, o muito utilizado 1-4-4-2, o “ofensivo” 1-4-3-3, ou ainda o “atual” 1-4-1-4-1.
 
Pois bem, a intenção não é diminuir ou tirar a importância desses números todos, mas sim, convidar o leitor a “pensar” sobre essas “verdades absolutas” que, todos os dias, profissionais ou não do futebol aceitam.
 
Mas, e o que é um Sistema Tático? É a disposição, a forma, em números, que se dá à estruturação de um time. É o desenho de uma equipe de futebol, que se divide em defesa, meio campo e ataque.
 
Esse desenho fica muito claro e simples de ser observado antes do início do jogo, já que nenhum daqueles números se movimenta dentro de campo, pois os jogadores não podem ficar fixos em suas posições como as peças de um jogo de pebolim. Portanto, talvez esteja na hora de enxergarmos e interpretarmos esses números na prática, com mais atenção e um olhar diferente.
 
Vamos usar o sistema 1-4-3-3, tido como ofensivo, utilizado por Luis Henrique (treinador do Barcelona), para exemplificar algumas situações. Apesar de ser usado sistematicamente pelo “Barça”, não significa que, num passo de mágica, todos os times que o adotarem jogarão bem, numa sincronia incomum, apresentando alto nível tático/técnico/cognitivo como eles, não é mesmo? Bem, alguns, de maneira bem simplista, ainda crêem que sim.
 
O Barcelona, por exemplo, usa dois dos seus três meios campistas (chamados no Brasil de volantes) como armadores (Rakitic e Iniesta), jogadores de transição, que atacam a área do adversário em vários momentos do jogo, além de manter o controle de uma dinâmica muito bem montada, não só por seu treinador e comissão, mas por uma “Filosofia”, onde fica muito claro, na teoria e na prática, o respeito à sua tradição, história e cultura.
 
Ou seja, “montar” uma equipe no 1-4-3-3, e simplesmente escalar três volantes quaisquer, de “marcação”, com pouca qualidade e com uma dinâmica de grupo e coletiva diferentes de toda a equipe, pouco efeito terá. E isso não quer dizer que não possa se utilizar de seus meio campistas com funções defensivas importantes (Busquets), pois assim seus laterais podem ganhar mais liberdade para atacar, utilizando-se de suas características ofensivas (Daniel Alves e Alba). O importante é manter uma equipe EQUILIBRADA em todos os momentos do jogo (transições, momentos posicionados de defesa e ataque, além da “bola parada”).
 
Ainda se espelhando na equipe catalã, se usarmos em uma equipe os mesmos três atacantes, mas nenhum deles possuírem características de velocidade, para criar espaços (por dentro, por fora, entre linhas), apresentar pouca eficiência no 1×1, ou que não proporcionar amplitude e profundidade, pouco importará para esse time utilizar o 1-4-3-3, que poderá deixar de ser ofensivo, já que pode encontrar dificuldades para criar situações de criação e mobilidade.
 
Mas a intenção aqui não é copiar ou jogar de modo semelhante ao do Barça, mas sim mostrar a importância de se perceber e entender o contexto e a realidade de uma equipe. Não é tão simples e óbvio jogar como o poderoso Barcelona, que além de ser uma seleção mundial em forma de clube, é uma escola de futebol muito bem fundamentada.
 
Possuem jogadores de alto nível que conseguem executar quase tudo de maneira perfeita, uma exceção, ainda mais se levar em consideração a realidade financeira e estrutural (não só física, mas principalmente de gestão) dos clubes brasileiros. Porém, é possível jogar por aqui um futebol de maior qualidade, sem tanto “chutões”, utilizando por mais vezes o jogo com os pés dos goleiros, de maneira mais organizada, e melhorar o nosso nível de atuação.
 
Na semana que vem terminamos esse bate papo sobre sistemas táticos e o nosso futebol!
 

*Muriel Fernandes é treinador adjunto Sub-20 do Goiás Esporte Clube. 

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por Muriel Fernandes

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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