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Conservação de obras históricas sem adesão

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11.01.2012 - 23:15:09

Cuidados e rotinas para conservar monumentos implicam custos, evitam intervenções radicais e garantem a originalidade das obras históricas. O conceito é antigo, mas ainda carece de adesão dos órgãos de política cultural.

O processo de salvaguarda de monumentos, ou seja, de bens materiais, passa, basicamente, por três esferas de atuação. A preservação, a conservação e a restauração. Podemos dizer que essas são camadas de um mesmo objeto. A preservação é camada exterior e mais ampla que trata de todas as ações necessárias à sobrevivência do bem cultural. Para preservar, é preciso antes de tudo a criação de leis de proteção e órgãos controladores como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Garantidas as condições legais, passa-se ao cadastramento para que sejam conhecidos os bens a preservar. Dessa forma, a conservação e o restauro são ferramentas de preservação do  patrimônio, assim como as leis de incentivo e de proteção.

Conservar implica ação direta sobre o bem. A conservação se dá através da manutenção da matéria do bem. Significa dizer que conservar é basicamente manter o patrimônio em bom estado, através de intervenções mínimas. no caso específico de bens imóveis, ações do dia a dia como limpezas diárias, pequenos reparos, manutenção das instalações elétricas, telhados, etc. A conservação é uma ação pontual e diária que mantém as características do bem.

Portanto, é uma ação importantíssima e que atrasa em muito a necessidade de intervenções mais avançadas. Camilo Boito já alertava para as benesses da conservação: “É obrigação de todo governo civil, de todo Estado, de todo município, de toda a sociedade, de todo homem não ignorante e não vil, providenciar que as velhas e belas obras do engenho humano sejam longamente conservadas para admiração do mundo”.

As ações de restauro se fazem necessárias sempre que a conservação falha, quando o bem é deixado à própria sorte; mesmo que utilizado ou não, por falta de interesse do proprietário ou por falta de poder financeiro. Todos que já deixaram suas residências para férias mais prolongadas sabem o que o abandono é capaz de fazer para destruir um imóvel. Em um pequeno período de ausência já é possível perceber a quantidade de sujeira acumulada danificando móveis, o cheiro desagradável causado pelo ressecamento dos sifões, sem contar a ação de vândalos que ao perceberem o abandono, invadem e depredam o imóvel. Restaurar, portanto, é restabelecer a qualidade original do bem, segundo sua história, obedecendo critérios de reversibilidade e de intervenção mínima, trazendo de volta a possibilidade de uso e entendimento do bem, conservando-o e preservando-o.

Existe desde 2006 um programa internacional chamado World Monument Watch, que se propõe a listar os 100 patrimônios da humanidade mais ameaçados. Na grande maioria das vezes os sítios tombados entram nessa lista por total abandono. É claro que a ação de vândalos, bem como a locação em zonas de conflito armado também contribuem para a deterioração do bem. Mas, é o abandono a maior causa de deterioração dos bens materiais. Portanto é nossa obrigação cuidar para que isso não aconteça. A restauração é ferramenta fundamental para a preservação dos patrimônios históricos, mas precisamos, antes de tudo, manter e conservar, inclusive os bens já restaurados para que eles possam ser apreciados por várias gerações futuras.

Nesse contexto, é importante que autoridades governamentais garantam as condições e os recursos necessários, para permitir que os órgãos de preservação desenvolvam as ações adequadas a fim de substituir a necessidade de intervenções radicais de restauração em monumentos, especialmente os que já passaram por obras dessa natureza.

Adriano Carvalho é arquiteto e responsável pelo Departamento de Projetos e Comunicação da Construtora Biapó

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por Adriano Carvalho

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