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2016: Crise ou oportunidade?

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15.01.2016 - 17:10:27

Goiânia – O ano de 2015 definitivamente não deixará saudades para o mercado imobiliário. O agravamento da crise econômica fez com que a venda de imóveis recuasse sensivelmente. E, como se não bastasse, vários compradores recorreram ao indigesto “distrato”, jargão usado pelas empresas, e agora também conhecido dos consumidores, para devolução de apartamentos comprados na planta. Segundo levantamento da agência de classificação de riscos Fitch, com nove companhias, de cada 100 imóveis vendidos, 41 foram devolvidos.
 
A alta taxa de desemprego (em torno de 8,5% em 2015) foi uma das responsáveis por essa situação. Mas surgiu ainda outro agravante, a restrição ao crédito. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, desde maio, só concede financiamentos para imóveis usados para compradores que possuírem entradas de pelo menos 50% do valor do imóvel. Tais limitações são fruto do menor volume de depósitos na poupança, que é a principal fonte de recursos para financiamentos imobiliários atualmente.
 
Diante de tal cenário, o valor dos imóveis começou a cair. De acordo com dados da FipeZap, mensurado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com a empresa Zap, no acumulado dos 11 primeiros meses do ano passado, foi registrado um crescimento de 1,32% no valor dos imóveis, o que representa queda real de 7,44% quando se leva em conta a inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (9,47%).
 
Como resultado do imediatismo daqueles que precisam vender rapidamente o imóvel, o desconto médio nas unidades foi de 8,1% nos últimos 12 meses. E a tendência é que os preços encolham ainda mais em 2016. Alguns economistas chegam a afirmar que, se em 2015 os valores voltaram ao patamar de 2013, é possível que, no segundo semestre de 2016, voltem ao nível de 2011, com queda real estimada em 10%.
 
Espera-se que, até o final do ano, o imóvel seja comercializado abaixo do preço de custo. Por esse motivo valerá muito a pena investir. A partir de meados de 2017, toda valorização perdida começará a ser recuperada. Isso demonstra que a crise pode sim ser sinônimo de um bom negócio no ramo imobiliário. Basta estar atento às oportunidades.
 
É claro que, em um primeiro momento, pode haver resistência dos donos de imóveis em baixar, efetivamente, os valores, o que pode gerar certa demora no recuo nominal do setor. Portanto, é recomendável ter uma boa dose de paciência. O interessado que não tiver pressa tende a fechar um melhor negócio mais adiante. O fato é que, quem busca um imóvel para morar e não depende de financiamento bancário, está com a “faca e o queijo nas mãos”. Compensa “gastar a sola do sapato” até conseguir o valor desejado. No momento certo, com expertise, quem tiver R$ 5 vai comprar R$ 10.
 
Entretanto, nem tudo se resume a esperar e exercitar o poder de barganha. Em tempos de crise, é obrigatório redobrar os cuidados, vez que muitas empresas se revelam altamente endividadas e, consequentemente, sujeitas à falência. Por via das dúvidas, é mais seguro optar por imóveis prontos e checar toda a documentação pertinente. Torna-se ainda essencial pesquisar sobre a história e a solidez da firma. Em suma, como diziam nossas avós: “Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”.
 

*Moisés Carvalho Pereira é diretor da Buriti Empreendimentos

 
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por Moisés Carvalho Pereira

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