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Carlos Monaretta: (cor)po, luz, fulgor

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13.12.2015 - 10:36:23

O curador da mostra Vinicius Figueiredo, a escritora Carol Piva, Carlos Monaretta
e a artista norte-americana Melissa Resch, na mostra Corpo e Luz (Vila Cultural, Goiânia)

Goiânia – “A imagem arde quando toca o real.” Está no limite do dizível e do não visto, entre a palavra e a penumbra, o som e a iminência de representação. É gesto, coisa, grito, brilho, silêncio. É sobretudo incêndio. Feito faísca a sugerir uma nova arquitetura — inicialmente caótica, à espera — do olhar. Com o qual nós percorreremos a imagem, e a própria imagem percorrerá a imagem — a imagem da imaginação.

 

Entramos na mostra Corpo e Luz de Carlos Monaretta, em sua primeira exibição na Vila Cultural de Goiânia até 22 de dezembro de 2015, e então tudo transborda fulgor: do talento incipiente e inquestionável do fotógrafo — também aluno de Direção de Arte na UFG — à impecável curadoria do professor e artista visual Vinicius Figueiredo, é a imaginação da gente que de imediato titila, e pulsa, e sobrepuja qualquer intenção preliminar de atribuir às fotografias que vemos logo-ali, diante de nós, um qual-caráter de sensualidade, pornografia ou erotismo. Elas são antes: cor, curva, uma luminescência que explora, poeticamente, o corpo feminino em suas nuanças mais sutis. 

 
(Foto: divulgação)

Em chiaroscuro, o artista nos apresenta um universo que tão logo incendeia, encanta, distorce e desconstrói, e convida à reticulação das nossas experiências de olhar a partir de uma poética do feminino, que arde, que olha de volta, que intriga. Como se alcançasse seu grau maior de luz: pois-então nos damos conta de que não há nada mais íntimo que o secreto contorno etéreo-corpóreo, de imaginarmos a textura, em devaneio, da própria imagem que diz do nosso olhar…
 
O que está exposto e escondido, simultaneamente entre a luz e a não luz sugeridas nas imagens de Monaretta, é também o nosso próprio esforço de liberação do ato de olhar: por que ver no corpo feminino forma estática de apreensão ou desejo se há nele pernas com suas peculiares caminhaduras, rostos de puro enigma ou mesmo invisíveis, mãos que cobrem as curvas e se distorcem de rotinas e não rotinas… em dias e dias e misteriosas ou simplíssimas noites de dormir, madrugar e sonhar?
 

(Foto: divulgação)

É quando, aliás, o tom de neon das fotografias da mostra nos encafifa de enredos para estoriar as coisas: vultos que caminham pela noite em seus sapatos blueprint, flãs, flagrantes; olhos que ainda não viram, ou que se perdem de reminiscências, conjeturas; lábios que amam, que dizem, que pedem, e esperam, e se fecham, desvairando encenações…
 
Enriquecendo a imagem capturada no florir de um gesto e aplicando a ela técnicas de transfiguração digital, o artista Carlos Monaretta convida a nossa percepção sobre o feminino a se afastar das pesadas estabilidades. As fotopinturas digitais que ele traz a público enriquecem o nosso olhar de sutilezas e intensidades, merecem ser contempladas, exploradas, revisitadas — em toda a sua evanescência e permanência, ardentes de imaginaç(ões).


*Carol Piva é uma das editoras-fundadoras do jornal literário O Equador das Coisas, tradutora e ficcionista.
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por Carol Piva

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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