Goiânia – Era 13 de Julho de 1951 em Los Angeles. Deveria ser apenas mais um dia normal de trabalho para o compositor austríaco Arnold Franz Walter Schönberg, que após naturalizar-se norte-americano em 1941, alterou a grafia do sobrenome para Schoenberg. Mas não foi bem assim. Na verdade, acordou bastante ansioso e resolveu ficar em seu quarto. Não estava doente, apenas não queria dar sopa para o azar, sofrer algum tipo de acidente. Afinal, tratava-se da última sexta-feira 13 daquele ano e estava com 76 anos (7 + 6 = 13). Para ele, uma combinação perigosa.
Enclausurado pelo medo, naturalmente muitas lembranças ocuparam sua mente. É provável que tenha visitado momentos importantes da sua vida. Posso até imaginar alguns deles: as primeiras arcadas nas cordas do violino aos oito anos de idade; as composições iniciais ainda na adolescência; sua chegada aos Estados Unidos em 1933 fugindo do anti-semitismo alemão; ou ainda, os dias dos seus dois casamentos: o primeiro com Mathilde Zemlinky em 1901 e o segundo, depois de viúvo, com Gertrud Kolisch em 1924.
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Gertrud e Schoenberg (década de 1920)
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Aliás, foi Gertrud que quase à meia-noite entrou no quarto, certamente para comemorar com o marido o término daquele agourento dia. A partir daí a história registra que o músico olhou para a esposa e pronunciou sua última palavra: harmonia. Para alguns, a morte de Schoenberg, consequência de um ataque cardíaco, teria acontecido às 23h47min, ou seja, 13 minutos antes da meia-noite de uma sexta-feira 13. Ou ainda, se mudarmos os números para 11h47min, teríamos: 1+1+4+7 = 13.
Tenho dúvidas quanto ao momento exato do óbito de Schoenberg. Como se isso fosse importante! Poderiam pensar alguns durante a leitura desse texto. Todavia, para os supersticiosos, que não é o meu caso, trata-se de um assunto sério. Então, voltando ao instante do passamento, esclareço que outros autores como o renomado compositor brasileiro Flo Menezes em seu livro “Apoteose de Schoenberg” (1987) e Willi Reich autor de “Schoenberg: A Critical Biography” (1971) registram outro horário: 23h45min.
Em todo caso, comprovadamente, Arnold Schoenberg sofria de “triscaidecafobia”, ou seja, um medo irracional do número treze. Acreditava cegamente que esse número estaria diretamente relacionado à sua morte. Curiosamente, havia nascido também em um dia treze, mais precisamente do mês de setembro de 1874. Não sabemos exatamente quando o compositor manifestou os primeiros sinais dessa patologia. Contudo, parece que sua relação com a numerologia era bem antiga.
Poderíamos considerar irrelevantes esses fatores extramusicais da vida desse importante compositor, professor e teórico vienense que chegou à cena musical, praticamente, como autodidata. Entretanto, a superstição também influenciou algumas de suas decisões na vida profissional. Vamos a um bom exemplo. No final da década de 1920, de forma intencional, grafou o título de sua ópera inacabada como “Moses und Aron”, quando o correto seria “Moses und Aaron”; adivinhem o motivo!
E será que esse fascínio pela numerologia influenciou Schoenberg na maior de suas invenções, o sistema dodecafônico de composição?